Caso Master invade eleições estaduais

Agora pré-candidato a governador do DF, José Roberto Arruda (PSD) não decidiu a quem apoiar para presidente: "Depende do que rolar no caso BRB-Master"

Por Tales Faria

Ibaneis Rocha e José Roberto Arruda, juntos no início das eleições de 2022

Vencidos os prazos de inelegibilidade que o afastaram da política devido ao escândalo conhecido como Mensalão do PFL de Brasília, o ex-governador José Roberto Arruda, agora filiado ao PSD, disse à coluna que está “pronto e otimista” para concorrer a governador do Distrito Federal em outubro.

Fora possíveis exageros, como dizer que “o povo já desistiu” do governador Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado, Arruda levanta um ponto importante. Perguntado se, no campo nacional, apoiará a reeleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva, ou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele respondeu: “Está tudo muito incerto. Depende do que rolar daqui para frente no caso BRB-Master.”

É exatamente assim que estão pensando quase todos os candidatos a cargos majoritários nas eleições pelos estados.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado do Crime Organizado, por exemplo, já tem marcados para esta semana os depoimentos dos governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Ibaneis está previsto para terça-feira, 3, e Castro, para quarta-feira, 4, ambos às 9h.

A CPI tem como presidente o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e como relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Foi instalada em novembro do ano passado para apurar a atuação de organizações criminosas no país, especialmente as milícias, mas senadores já avisaram que pretendem fazer perguntas sobre o envolvimento de Ibaneis e Castro com o Banco Master.

Se forem permitidas perguntas sobre o escândalo envolvendo o banco, senadores de oposição também pretendem que sejam chamados gestores de outros estados, como Amapá e Bahia.

Segundo a Polícia Federal, o BRB teria comprado R$ 12 bilhões em carteiras do banco Master com créditos fictícios e o Rioprevidência teria aplicado quase R$ 1 bilhão em papéis da instituição, contrariando alertas do Tribunal de Contas do Estado.

No caso do Amapá, sob o governador Clécio Luís (União Brasil), o fundo de pensão dos servidores ignorou alertas sobre as investigações de fraudes e investiu R$ 100 milhões em títulos sem garantia.

E a Bahia, sob o governo de Rui Costa (PT), seria onde as fraudes teriam tomado vulto, a partir da compra da estatal Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela Cesta do Povo.

O governador editou decreto garantindo uma margem de consignação exclusiva de 30% para o programa Credcesta. Com isso, um negócio deficitário e vendido por apenas R$ 15 milhões foi transformado num portfólio bilionário de consignados, depois usado para alavancar a carteira de CDBs do Master.

As ligações do dono do Master, Daniel Vorcaro, com políticos de peso dos maiores partidos do país fazem prever que o escândalo dominará os debates no Congresso neste primeiro semestre. Além desta CPI do Crime Organizado, já estão na fila outras três CPIs específicas sobre o banco.

A expectativa é de que o debate sobre o tema se espalhe para além do Congresso atingindo governadores de outros estados, além dos já citados nas investigações. Ou seja, que entre também na pauta das eleições municipais e presidencial.

Daí porque pré-candidatos como José Roberto Arruda considerem que “está tudo muito incerto”. Só decidirão sobre que lado ficar dependendo “do que rolar daqui para frente no caso BRB-Master”.