Toffoli busca blindagem de Lula contra impeachment

Ele foi o ministro do STF que proibiu Lula, quando preso na sede da PF, de comparecer ao velório do irmão Vavá, que morreu de câncer em 2019

Por Tales Faria

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministro Dias Toffoli, do STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está tentado marcar um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas até este sábado,24, não havia conseguido.
Toffoli precisa do apoio do presidente para que o PT e os parlamentares governistas barrem tentativas da oposição e do centrão de fazer tramitar no Senado o pedido de impeachment contra ele.
Seria um segundo encontro depois que Lula assumiu seu terceiro mandato presidencial. O colunista Lauro Jardim, de “O Globo”, revelou que no início de dezembro eles almoçaram juntos na Granja do Torto, na companhia do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Toffoli acabara de decretar sigilo absoluto no processo sobre o Banco Master.
Haddad relatou as suspeitas levantadas pelo Banco Central que levaram à liquidação da instituição financeira. No final da conversa, Lula teria dito ao ministro do STF: “Você tem agora a chance de reescrever a sua biografia”.
Toffoli, no entanto, tomou uma série de atitudes após o encontro que pareceram prejudicar a atuação da Polícia Federal nas investigações.
Poucos dias depois do almoço no Torto, ele determinou a realização de uma acareação do dono do Master, Daniel Vorcaro, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) com o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Esse tipo de procedimento costuma envolver investigados com testemunhas, condição que não se aplicava ao diretor do BC. Isso levantou suspeitas de que o objetivo seria contradizer a autoridade monetária. Diante das críticas, Toffoli recuou e Ailton de Aquino apenas prestou depoimento, mas foi dispensado da acareação.
Mais recentemente, o ministro determinou que todo o material apreendido na operação da semana passada contra Vorcaro permanecesse retido e lacrado no STF, em vez de ser encaminhado diretamente à PF para análise pericial, como ocorreria normalmente.
Só aceitou recuar diante da entrada da Procuradoria Geral da República (PGR) na história, insistindo propondo que o material ficasse sob a guarda do Ministério Público Federal. Mas ele insistiu em manter sob sua decisão a escolha dos peritos.
Essas atitudes é que levantaram em Lula a dúvida se deve continuar se envolver nessa história a favor de Toffoli Primeiro, porque há dúvidas sobre o comportamento do ministro em relação ao caso Depois, porque Lula não tem mais pelo ministro a mesma simpatia que o levou a indicá-lo para o STF.
Depois que assumiu, Toffoli rompeu os laços com o PT, onde começou sua vida pública como assessor do partido. Mais ainda: ele se engajou na época a apoiar a Operação Lava Jato, a tal ponto que cometeu o gesto que mais feriu o então ex-presidente da República. O ministro do STF proibiu Lula, quando estava preso na sede da PF em Curitiba, de comparecer ao velório de seu irmão Vavá, que morreu de câncer em 2019.
Impôs a seguinte condição: a família de Lula deveria ir com o corpo até uma base militar para que o petista pudesse se despedir, mas este decidiu não comparecer.
Logo que Lula tomou posse no terceiro mandato, Toffoli teria pedido perdão ao presidente, sem receber uma resposta positiva, segundo noticiou na época a jornalista Mônica Bergamo.
Agora a dúvida é: se Toffoli sofrer processo de impeachment no Senado Federal, Lula pedirá aos governistas para blindá-lo, ou vai se vingar do velório de Vavá que não pode comparecer?