Planalto festeja fiasco de Trump
Desastre em Davos reforça estratégia de retardar a resposta brasileira ao convite para o Conselho de Paz do presidente dos EUA
O Palácio do Planalto comemora a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de cozinhar em banho-maria a resposta do Brasil ao convite para entrar no tal Conselho de Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A avaliação dos assessores do presidente é que foi um verdadeiro fiasco a passagem de Trump pelo Forum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Trump aproveitou o encontro de personalidades e chefes de Estado de grandes potências para lançar seu Conselho, considerado uma tentativa de esvaziar a Organização das Nações Unidas (ONU). Mas o ato de lançamento reuniu figuras de pouca importância. O auditório apresentou cadeiras vazias, e os chefes de Estado representavam países sem destaque no cenário internacional.
Para piorar, Trump enfrentou resistência frontal dos países da União Europeia à sua tentativa de anexar a Groelândioa pelos EUA. Se viu obrigado a recuar nas ameaças de invasão e fez um anúncio de acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que foi desmentido.
O convite para o Brasil aderir ao Conselho foi anunciado no último dia 16. O Brasil ainda não respondeu se aceitará. Neste meio tempo, o presidente Lula tem conversado com líderes de outros países em busca de uma decisão conjunta. A ideia é estender o mais possível o tempo de resposta para evitar uma negativa frontal isolada que possa provocar um esfriamento nas relações com os EUA.
Se, por um lado, não há intenção de integrar o tal Conselho, pelo menos nos moldes apresentados até agora, por outro lado, também não há desejo de gerar atritos. Daí o cuidado que Lula tem pedido aos membros do governo para tratar o assunto.
Não será dito publicamente, mas Lula e assessores consideraram um desastre, quase risível, o discurso do presidente dos EUA na cerimônia do Conselho. Foi uma fala rocambolesca e agressiva em relação aos anfitriões na Europa. Até o logo do tal Conseho apresentado por Trump, com os EUA ao centro, apareceu como um erro diplomático.
Para o Palácio do Planalto, essa sucessão de aparentes erros faz parte de uma estratégia de campanha de Trump visando público interno às vésperas das eleições para renovação do Congresso.
Trump tentaria apenas inflar o instinto o patriótico do eleitorado com o tema da Groelândia, como fez com a invasão da Venezuela, e até com os embates retóricos contra a Europa.
De quebra, ele tira o foco dos arquivos da investigação sobre seu amigo e criminoso sexual Jeffrey Epstein, morto em 2019. A Justiça dos EUA determinou a divulgação desses arquivos, mas o governo Trump só liberou poucos mais de 1%.
Para o governo brasileiro, o melhor agora é deixar que o próprio Trump se enrole ou desenrole dos casos que ele próprio cria.
