Governo busca votos contra a dosimetria no centrão
É preciso 257 votos para o veto cair, e haverá apenas 256 pela derrubada se 35 dos 291 que votaram a favor não se manifestarem
O governo está em busca dos votos no centrão para manter o veto presidencial à redução das penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado. O Palácio do Planalto fez um mapeamento de como cada deputado votou o Projeto de Lei da nova dosimetria na madrugada de 10 de dezembro.
A avaliação é de que o veto só será mantido se mudarem de posição pelo menos 35 deputados do centrão que votaram a favor. Não necessariamente precisarão votar contra a derrubada do veto desta vez. Poderão apenas se ausentar.
Isso porque o texto foi aprovado com 291 votos favoráveis e são necessários 257 votos para a derrubada de vetos presidenciais. Portanto, haverá apenas 256 votos pela derrubada se 35 dos que votaram a favor não aparecerem, ou não registrarem voto, ou se manifestarem contra.
Além disso, o governo precisará garantir que aqueles que não votaram em dezembro também não votem agora, ou votem contra a derrubada.
Cinquenta deputados do centrão, segundo o levantamento do Palácio do Planalto, não votaram. O número inclui integrantes do União Brasil, do PP, do Republicanos, do PSD e do MDB, que deram 167 votos para aprovar a nova dosimetria. Também se ausentaram outros cinco deputados dos partidos que se denominam "centro democrático" (Solidariedade, PSDB, Podemos, Cidadania e Avante).
Não é uma tarefa fácil. Muitos desses do centrão e do centro que não votaram, na verdade, não o fizeram por dificuldades momentâneas, mas são favoráveis à derrubada do veto presidencial.
Terá que haver um convencimento, em conversas caso a caso, com todos os 50 do centrão que se ausentaram e os 167 publicamente favoráveis à diminuição das penas dos condenados pela tentativa de golpe. Assim como com os 37 dos partidos de centro que votaram pela nova dosimetria e os cinco que se ausentaram. E há uns poucos espalhados pelos partidos de menor expressão.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou nessa empreitada. Os movimentos iniciais estão sendo no sentido de trazer para sua área de influência os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos Paraíba) e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ambos têm influência sobre os votos nas duas Casas.
Lula já conseguiu pacificar Alcolumbre, que andava desgastado desde que foi anunciada a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, como nome do governo para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF).
Alcolumbre preferia o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas se entendeu com o presidente após um encontro reservado na virada do ano no Palácio da Alvorada em que garantiu a indicação de Otto Lobo como presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entre outros benefícios.
Hugo Motta também foi chamado a se reaproximar do presidente, com quem dividiu nesta terça-feira, 13, o comando da solenidade de sanção, no Palácio do Planalto, do Projeto de Lei que concluiu a reforma tributária e do lançamento oficial da plataforma digital da reforma.
Motta e Lula ainda não acertaram a aliança eleitoral na Paraíba, onde o presidente da Câmara espera "um gesto" de Lula em favor da candidatura ao Senado de seu pai, Nabor Vanderley.
Os outros movimentos do presidente em direção à conquista de votos estão sendo feitos durante a reforma ministerial. O próprio Motta já se beneficiou indicando o novo minsitro do Turismo, Gustavo Feliciano, que, também traz votos do União Brasil.
