Tarifa Zero e fim da escala 6x1 nas eleições

Palácio do Planalto escalou Guilherme Boulos para inflar os temas nas ruas com os movimentos sociais para forçar aprovação no Congresso

Por Tales Faria

Lula e Boulos em campanha eleitoral

Os articuladores políticos do governo acreditam que colocarão a oposição contra a parede neste ano eleitoral de 2026.

A ideia é aproveitar a aproximação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para aprovar a votação do fim da jornada de seis dias de trabalho por um dia de descanso e a universalização da Tarifa Zero para transporte urbano em todo o país.

Os dois projetos foram escolhidos como prioridade do governo para 2026. O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, deverá inflar os temas nos movimentos sociais para que tomem força nas ruas quando esquentar a campanha eleitoral.

No Congresso, a expectativa é de que empresários façam lobby contra os projetos. Mas as duas propostas têm condições de mobilizar estudantes e trabalhadores. Se essas categorias forem às ruas, dificilmente os políticos resistirão.

A estratégia da esquerda é tentar fazer tanto barulho com a Tarifa Zero como foi feito em 2013 com as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus. Um aumento inicial de R$ 0,20 em São Paulo, repicado em outros estados, provocou protestos por todo o país.

Alimentou um mau humor na população que varou o ano de 2014. Muitos atribuem como motivação inicial para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2015.

Agora a ideia é usar essa mesma arma contra quem se opuser à adoção da Tarifa Zero e ao fim da jornada 6x1. O deputado Rogério Correia (PT-MG) diz que "até os bolsonaristas vão ter de votar na hora H. Tentarão adiar, mas acabarão votando. Só têm que entrar na pauta".

Mas o governo também tem interesse em aprovar outros dois textos: o Projeto de Lei (PL) Antifacção e a Proposta de Emeneda Constitucional (PEC) da Segurança. A ideia inicial era aprová-los na Câmara no final do ano passadao, mas os líderes acabaram adiando para este ano.

A PEC da Segurança primeiro terá que ser aprovada na Comissão Especial. O relatório do deputado Mendonça Filho (União-PE) propõe a criação do Sistema Único de Segurança Pública, como quer o governo, mas traz mudanças no projeto original do Executivo.

O PL Antifacção, aumenta as penas para crimes cometidos por facções criminosas ou milícias e prevê a cobrança de empresas de apostas, conhecidas como bets, para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Foi aprovado pelo Senado, mas com mudanças no texto que saiu da Câmara e voltou para a análise dos deputados.

Há, portanto, resistências na Câmara a esses dois textos. Caberá ao governo decidir se cede os anéis para não perder os dedos, ou se vai para a disputa em plenário.