PT desconfia do centrão por trás de Vorcaro

Banqueiro pode se tornar um personagem como o foi Marcelo Odebrecht, na Lava Jato, ou Mauro Cid, na tentativa de golpe de Estado

Por Tales Faria

CEO do Master, Daniel Vorcaro chegou a ser preso

Pronto, apareceu a Janaína. Não é a Janaína Paschoal, mas pode se tornar tão importante quanto foi a nervosa advogada do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Trata-se da delegada Janaína Palazzo. Ela conduz o inquérito que levou à prisão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, solto no fim de novembro pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Na terça-feira, 30, a delegada começou a tomar depoimentos de Vorcaro, do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino; e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, impedido pelo BC de comprar o Master.

Janaína será fundamental nessa investigação e no possível processo. Ela irá opinar se deve ser feita uma acareação entre os três, conforme chegou a cogitar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi obrigado a recuar diante das críticas que recebeu.

Não é só a coincidência de nomes que está preocupando o maior partido do governo, o PT. Os petistas suspeitam que o centrão esteja por trás de alguns eventos envolvendo investigações, vazamentos e personagens do caso Master.

Suspeitam, por exemplo, da amizade entre Vorcaro e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). O PP forma com o União Brasil a maior federação partidária do país, que praticamente comanda o centrão no Congresso.

Se o caso Master tomar força na Justiça e Vorcaro se sentir ameaçado, poderá ser incentivado a fazer delação premiada. Essas delações costumam ter grande potencial de causar estrago.

Trata-se de um banqueiro com muitas ligações em Brasília, à esquerda e à direita, e até na Justiça. Foi descoberto, por exemplo, Um contrato milionário do banco com a esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, algoz de vários políticos.

Vorcaro poderia, especula-se, se tornar um personagem como o foi Marcelo Odebrecht, na Lava Jato, ou Mauro Cid, na tentativa de golpe de Estado.

Fica faltando aí um juiz com sede de sangue, como foi Sérgio Moro na Lava Jato. E entre os petistas há muita desconfiança sobre o comportamento de Dias Toffoli, que praticamente chamou o caso para si ao decretar sigilo absoluto.

Toffoli foi rechaçado publicamente quando tentou se desculpar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seu desempenho na Lava Jato. Ele não permitiu que Lula, quando preso, comparecesse ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, em São Bernardo do Campo.

Será que o fato de Lula não ter lhe perdoado despertou tanto rancor capaz de torná-lo um Sergio Moro? É o que se perguntam os petistas.

Mas a maior preocupação é quanto ao centrão e à mídia apontada como ligada à Faria Lima. O PT atribui a estes a efetividade do impeachment contra Dilma Rousseff. A Faria Lima e o comando do centrão já deram vários sinais de que querem ver Lula fora do Palácio do Planalto. Mas o presidente continua como favorito do eleitorado para 2026.

Como diz aquela música de Chico Buarque, "o que será que será?"