Ex-patriota Eduardo Bolsonaro agora prefere não ter pátria
O ex-deputado passou anos a fio se autointitulando "patriota". Agora autoexilado, diz que pode se registrar como apátrida nos EUA
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passou anos a fio se autointitulando "patriota" e sugerindo que quem não fosse ultraconservador como ele não era patriota. Bolsonaristas marcharvam pelas ruas vestindo camisas verde-amarelas. Tentaram tornar o termo "bolsonarista" sinônimo de patriota.
Quando Jair Bolsonaro (PL) assumiu a Presidência da República, a família abriu guerra contra o Supremo Tribunal Federal (STF), órgão encarregado de interpretar as leis no país.
Contra a interpretação dos ministros todos do STF, Eduardo Bolsonaro, os irmãos e seu pai defendiam que não seria golpe de Estado o presidente invocar o artigo 142 da Constituição para o Exército intervir e até fechar a Corte Suprema do país.
Aliás, defendem isso até hoje. Na versão deles, Jair Bolsonaro não propôs golpe aos comandantes militares quando apresentou um documento sugerindo uma intervenção no STF com base no artigo 142. Como os militares não aceitaram, eles desistiram. Mas insistem que apresentar essa proposta aos comandantes militares não seria tentar um golpe.
Agora, como a pátria não concordou com o golpe, o clã se voltou contra a pátria. Pediu apoio dos Estados Unidos para impor um tarifaço sobre as empresas brasileiras, ameaçando-as de falência.
O filho mais velho do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chegou a sugerir que os EUA viessem procurar e atacar supostas embarcações de traficantes na Baía de Guanabara, como Donald Trump está fazendo na Venezuela.
Eduardo Bolsonaro anunciou em março estar indo morar nos EUA com o objetivo explícito de convencer o governo norte-americano a retaliar o Brasil por ameaçar prender seu pai. Na época, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou pedido do PT para apreensão do passaporte do deputado.
Mas Eduardo teve o mandato cassado pela Câmara nesta quinta-feira, 18. Ultrapassou o limite de faltas desde que saiu do país por vontade própria. Com isso, perderá seu passaporte diplomático.
"Assim que eu perder meu mandato, dentro de 30 ou 60 dias, tenho que devolver meu passaporte diplomático. Vou ficar sem passaporte brasileiro. Mas já adianto que estou vacinado. Isso não me impediria de fazer outras saídas internacionais porque tenho outros meios para fazê-lo ou quem sabe até correr atrás de um passaporte de apátrida. Vamos ver como isso acontece", declarou.
Apátridas são aqueles que não têm o título de qualquer nacionalidade. Em geral, perdem a nacionalidade por perseguição política, religiosa ou étnica. Eduardo não se encaixa em nenhum dos casos, embora ele afirme que está sendo perseguido.
A nacionalidade é um status jurídico-político que une a pessoa ao território. É um ato de Estado - motivado pelo local de nascimento ou por consanguinidade - e só é retirada por um ato administrativo do Estado. Segundo juristas, não cabe a uma pessoa se autodeterminar apátrida.
Tudo indica que agora Eduardo Bolsonaro, que já deixou de ser patriota, estuda a possibilidade de se autointitular apátrida. Tem tudo para dar errado.
