O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, atribui ao Palácio do Planalto as denúncias de que ele seria dono de aviões operados por uma empresa acusada de lavar dinheiro do PCC.
No partido, o que se diz é que Rueda decidiu abrir guerra contra o governo por conta dessas denúncias.
Uma resolução assinada pelo dirigente foi divulgada na mesma quinta-feira, 18, em que as denúncias foram noticiadas. Determinou que todos os filiados ao União Brasil devem deixar o governo "em 24 horas", sob risco de expulsão da legenda.
Diz a resolução: "Todos os filiados do União Brasil [...] requeiram imediata exoneração dos cargos públicos de livre nomeação e/ou funções de confiança eventualmente ocupados no âmbito da administração pública federal direta (ministérios) ou indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista). [...] A não observância da determinação [...] sujeitará o infrator às sanções previstas no Estatuto, após a regular tramitação de processo disciplinar instaurado no âmbito da Comissão Executiva Nacional."
Rueda não admite que a decisão tenha a ver com as denúncias. O texto da resolução afirma que o afastamento é necessário "considerando a necessidade de preservar a independência partidária e a coerência política do União Brasil", e que a medida visa "garantir o alinhamento das ações dos filiados com as diretrizes partidárias".
O PP, que acabou de oficializar com o União Brasil a maior federação partidária do país, não adotou a mesma ameaça de ação disciplinar, embora já tivesse anunciado o rompimento com o governo.
O principal atingido pela medida é o ministro Celso Sabino, do Turismo. Outras indicações também atribuídas ao União Brasil não deverão sofrer mudanças.
Frederico Siqueira, ministro das Comunicações, foi indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas não é filiado ao partido. E o Ministro do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, é filiado ao PDT, embora também tenha sido indicado por Alcolumbre na cota do União Brasil.
Mas auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto apostam na permanência de Sabino, mesmo após o ultimato do partido.
O presidente Lula tem dito que não pretende se render a Rueda. Ela já afirmou, numa reunião ministerial, que não tem simpatia pelo presidente do União Brasil. Mas Lula quer preservar o apoio de deputados, senadores e cabos eleitorais do União Brasil nas eleições de 2026.
Outro problema é que o Planalto ainda conta manter alguns votos da federação PP-União Brasil nos projetos em tramitação no Congresso que interessam ao governo.
O principal deles é o projeto de liberação do pagamento de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Na terça-feira, União Brasil e PP votaram, em peso contra o governo na aprovação da PEC da Blindagem pela Câmara. O texto foi enviado ao Senado e Davi Alcolumbre prometeu enterrá-lo.