A coluna conversou por mensagem com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), sobre o projeto de anistia para os acusados de tentativa de golpe de Estado.
O tema específico foi o item da minuta divulgada pelo líder que derruba a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tornando-o novamente elegível.
Afinal, isso confirma o que já disse o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto: que o partido ainda trabalha com a candidatura de Bolsonaro ao Palácio do Planalto, "não tem plano B".
O fato é que, com Bolsonaro elegível, fica complicado para o governador de São Paulo, Tarcísio der Freitas (Republicanos), manter-se como opção para concorrer à Presidência da República.
É um problema, porque o centrão gostaria de ter Tarcísio como candidato.
Fizemos, então, uma pequena entrevista. A impressão que ficou é de que, para o PL, não está certo ainda que Tarcísio será candidato ao Palácio do Planalto. Mas o líder pareceu disposto a negociar.
De qualquer maneira, ficou claro que o futuro de Tarcísio de Freitas está nas mãos de Jair Bolsonaro.
O senhor não teme que, com Bolsonaro elegível, o Tarcísio desista de ser candidato a presidente da República?
Resposta: Sempre vamos lutar para Bolsonaro ser o candidato.
Mas isso não afasta a candidatura Tarcísio?
Tarcísio só será candidato se Bolsonaro autorizar e pedir.
Pois é. Mas o Tarcísio tem que se desincompatibilizar em abril, se quiser ser candidato. Já o Bolsonaro pode manter a candidatura praticamente sem prazo. O sr acha que o Tarcísio vai se desincompatibilizar até abril?
Se ele for o escolhido pelo Bolsonaro, com certeza vai se desincompatibilizar.
Então podemos concluir que o Bolsonaro deve anunciar até abril o seu candidato?
Não sei. Se ele escolher o Tarcísio tem que anunciar até abril, por causa da desincompatibilizacão.
Se não anunciar até abril, não poderá ser o Tarcísio. Não é isso?
Se Bolsonaro não anunciar até abril, o Tarcísio será candidato a reeleição em SP
O senhor pensa em retirar do projeto o item que dá anistia ao Bolsonaro na questão eleitoral? Isso permitiria negociar com mais facilidade apoios.
Primeiro eu preciso que seja pautado e nomeado o relator. Texto se discute com o relator e com o plenário.
Então a elegibilidade do Bolsonaro não é questão fechada?
Lógico que é. Não foi isso que eu disse. Disse que qualquer negociação de texto é somente com o projeto pautado e com relator nomeado.
Mas o senhor disse que tudo se discute. Não quero colocar palavras na sua boca. Entendi errado?
Eu sei amigo. Tudo no processo legislativo é passível de discussão.
Então? Pode ou não pode negociar a retirada?
Por nós, não!
Não? O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, por exemplo, está disposto abrir mão do apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou de uma candidatura própria, só se for para apoiar Tarcísio. O Republicanos e o MDB, também.
Se for para abrir caminho à candidatura de Bolsonaro e não para Tarcísio, não tem acordo pela anistia.