Trump e o grande prejuízo para Petrópolis

Por Sérgio Cabral

A cidade de Petrópolis é um grande polo metal-mecânico com importantes empresas em setores de grande valor agregado.

O jornal Estado de São Paulo, em matéria assinada pelo jornalista Daniel Wetermam, trouxe, ontem, a relação das cidades brasileiras mais prejudicadas pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Petrópolis, no meu estado do Rio de Janeiro, é a quinta cidade do Brasil que mais irá sofrer com a covardia e a burrice do famigerado Trump. A cidade é um grande pólo metal-mecânico com importantes empresas em setores de grande valor agregado.

O prejuízo para as empresas de Petrópolis será em torno de 203.770.658 milhões de dólares, mais de 1 bilhão de reais! Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).

O governo de Donald Trump aplicou uma tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros que entrou em vigor na última quarta-feira. Não satisfeito, dois dias depois, na sexta-feira, acrescentou uma nova tarifa de 12,5%. Somadas, chegam a 37,5% para uma lista de produtos exportados. Os principais produtos sujeitos à dupla tributação são madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetal e animal e armas.

Nossa cidade imperial sedia a GE Celma (GE Aerospace), responsável pela manutenção de motores aeronáuticos, e tem alta exposição ao mercado norte-americano na prestação de serviços a companhias aéreas americanas. Além de Petrópolis, a cidade de Três Rios também irá sentir o baque, pois há uma grande unidade da GE Celma na cidade.

Outra empresa petropolitana que irá sentir o famigerado tarifaço de Donald Trump será a Dentsply Sirona, de produtos odontológicos. A Carl Zeiss Vision, que produz lentes oftálmicas. A Alfa Laval tem grande exposição do seu faturamento ao mercado norte-americano, com a produção de equipamentos industriais. Também produtora de componentes industriais, a empresa Matheiss Borg está no rol das companhias petropolitanas atingidas pela tarifação. A companhia Despi, responsável por produtos industriais, tem alta exposição na exportação de seus produtos ao mercado dos Estados Unidos, e já relatou perda de vendas e adiamento de investimentos em razão das barreiras comerciais americanas.

Além das já mencionadas Petrópolis e Três Rios, outras cidades fluminenses também sofrerão com o tarifaço de Donald Trump: Resende, Porto Real, Itatiaia, Volta Redonda, Barra Mansa e Nova Friburgo.

No ranking do MDIC e da Amcham, Piracicaba será a mais atingida com um prejuízo em suas exportações da ordem de 5 bilhões de reais anuais.

O que mais me impressiona é ter políticos brasileiros que colocam bonés de Trump na cabeça e o cultuam como líder político. Isso é vergonhoso!!

Trabalhadores brasileiros perderão seus empregos, cidades, estados e o país perderão receitas, e diversos empresários poderão quebrar por essa irresponsabilidade de Donald Trump, que está desesperado pelas pesquisas eleitorais que apontam a derrota do seu partido Republicano para o partido Democrata na Câmara e, possivelmente, no Senado americano, nas eleições de novembro desse ano.

A iniciativa de Trump busca falar para o trabalhador médio americano, com uma falsa política protecionista que não dará resultados imediatos e que, a médio e longo prazo, também frustará o povo americano.

A história de sucesso dos Estados Unidos é vinculada à globalização da economia. De Regan a Bill Clinton, de Bush a Obama, presidentes republicanos e democratas sempre estiveram sintonizados com o comércio internacional e a inserção da vanguarda econômica e criativa do país no cenário internacional.

Trump, na verdade, é a exclamação da decadência que a economia norte-americana corre o risco de viver com o grande crescimento da China e de outros países asiáticos como a Índia, Vietnã e o Japão, além da coesão do Bloco Europeu.

Repito: só brasileiros estúpidos e sem nenhum sentimento de brasilidade para cultuar esse monstro provocador de guerras e desunião chamado Donald Trump.