Ódio disseminado
A extrema direita é responsável pela disseminação do ódio pelo mundo. Ela corrói o tecido institucional com sua verborragia histérica em nome de uma revolta contra o establishment.
Nada diferente da extrema esquerda, hoje nanica, mas que na sua época de presença marcante no cenário internacional, foi capaz de causar enormes prejuízos aos avanços democráticos pelo mundo afora, inclusive aqui no Brasil.
Esse ódio é incorporado no mundo por dois personagens responsáveis por grande parte do desconforto que a civilização humana vive hoje: Vladimir Putin e Donald Trump.
Dois psicopatas autocentrados. Putin herdou o tumulto pós queda da União Soviética e a patética figura de Boris Yeltsin que bebia mais do que governava a nova Rússia, depois da libertação de todos os países anexados pela violência do regime soviético sob o comando do facínora Josef Stálin.
Putin está à frente do governo da Rússia desde o início do século XXI. São 26 anos no comando russo. Putin tem horror do modelo ocidental de democracia. Formado nos subterrâneos da KGB, no regime soviético, nunca deixou de ter a mentalidade de um agente secreto da monstruosa agência.
A invasão à Ucrânia é o ápice da sua psicopatia. Não admite que a Ucrânia entre para a OTAN, pois a enxerga como uma extensão do domínio russo, como foi durante séculos dominada por czares e durante o regime soviético.
Sabe que a Ucrânia integrada à União Europeia, e integrante da OTAN, será uma grande estimuladora do desejo do povo russo por democracia.
Para deter essa ameaça, invadiu a Crimeia em 2014. Não houve reação à altura de Barack Obama nem da OTAN. Em 2022, iniciou um ataque massivo e invadiu a Ucrânia. Desde então, mais de 500 mil soldados e civis morreram dos dois lados. A Russia controla 20% do território ucraniano. Cada tentativa de avançar sobre o território gera milhares de mortes. A Ucrânia conta com o suporte dos países europeus e o último bastião de resistência ao apoio na comunidade europeia foi derrotado em seu país, para o bem de todos: o húngaro Viktor Orbán foi esmagado nas urnas.
Por outro lado, Donald Trump, além de se omitir e deixar o criminoso Putin agir, provoca o caos com a tentativa de destruir o regime islâmico no Irã. Um regime retrógrado, misógino, homofóbico e autoritário. Aliás, como é o próprio Donald Trump.
Trump não quer desfazer o regime iraniano porque está preocupado com a vida e a liberdade dos 90 milhões de habitantes do país. Ele quer que o regime se dobre e passe a abrir seus campos de petróleo para as empresas norte-americanas. Como fez na Venezuela. Afinal, os Estados Unidos têm relações com inúmeros países autoritários. E jamais quis interferir nos seus assuntos internos. Mas como são abertos e amigáveis aos seus negócios, zero de problema.
Trump vai à China no próximo mês. O país que mais cresce e se desenvolve no mundo. A China não tem conflitos internacionais. Seu único tema é Taiwan.
A China, hoje, é a segunda força militar do planeta. É o maior exportador e importador do mundo. Faz o melhor soft power entre todos os países, pela sua força econômica, tecnológica e produtos de alta qualidade com preços extremamente competitivos. Além de um gigantesco mercado interno consumidor. A Apple vende muito mais celulares na China do que nos Estados Unidos.
Trump não deve ler nem orelha de livros. Oxalá ele pudesse beber nas fontes de Confúcio e Deng Xiaoping. Estamos sob risco de dois inescrupulosos presidentes. Um no poder há 26 anos, e outro que pode ser derrotado pelos seus erros e pela arquitetura democrática norte-americana que, creio, é forte o suficiente para isso.
*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho