Decisões fundamentais para Lula

Lula precisa de dois palanques fiéis e competitivos para vencer nos estados de SP e RJ, onde perdeu para Jair Bolsonaro tanto no primeiro como no segundo turno das eleições de 2022.

Por Sérgio Cabral*

Presidente Lula precisa de bons palanques no Rio e em São Paulo

São Paulo é o estado com o maior eleitorado do Brasil, com mais de 34 milhões de eleitores. O estado do Rio de Janeiro tem um pouco mais de 13 milhões de eleitores aptos a votar. São quase 50 milhões de eleitores.

Lula precisa de dois palanques fiéis e competitivos para vencer nesses dois estados, onde perdeu para Jair Bolsonaro tanto no primeiro como no segundo turno das eleições de 2022. Além disso, precisa ter um vice-presidente que amplie para o centro político sua reeleição. Daí que dou os nomes capazes de dar a segurança necessária para que isso ocorra.

Para vice-presidente da república, não tenho dúvida que a permanência de Geraldo Alckmin é fundamental para o êxito da reeleição. Geraldo se destacou como ministro do desenvolvimento, indústria, comércio e serviços. Implementou, junto com Lula,Fernando Haddad e Aloísio Mercadante, pelo Bndes, uma retomada da política industrial no país. Se destacou na interlocução com os setores produtivos do país, após as taxações absurdas tomadas por Donald Trump ao setor exportador do Brasil. Além de leal e bom caráter, Alckmin possui vasta experiência pública e muito prestígio e reconhecimento popular no seu estado, São Paulo, que governou por quatro vezes. Mudar o vice será um erro crucial para Lula.

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas detém boa aprovação, mas sua base de apoio na direita e ao centro tem problemas de unidade. Por outro lado, Lula tem o melhor quadro do PT no Brasil, claro depois do próprio Lula, para apresentar como candidato a governador: Fernando Haddad. Junto com as candidaturas ao Senado de duas mulheres respeitadas e com real chance de vitória: Simone Tebet e Marina Silva.

Já no estado do Rio de Janeiro, surge uma oportunidade que Lula não pode deixar de aproveitá-la: a eleição indireta na Assembleia Legislativa para governador, com a renúncia iminente de Cláudio Castro para disputar uma cadeira de senador.

O ex-presidente da Alerj e atual Secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano, é lembrado não só pelos deputados estaduais da esquerda, como também pelos deputados do centro e da própria direita como um nome para o cargo de governador. André presidiu a Alerj por 5 anos e meio e conquistou credibilidade e estima dos seus pares.

Lula em 2002, teve no Rio Benedita da Silva como governadora do estado nos últimos 9 meses da eleição dando suporte a sua primeira vitória eleitoral para presidente da república. Em 2006, no segundo turno, contou com o meu apoio para obtermos, juntos, 70% dos votos dos eleitores fluminenses. Em 2022, perdeu no Rio.

O prefeito do Rio já declarou que deixará a prefeitura dia 20 de março, para disputar o cargo de governador. Aliás, contrariando sua promessa feita em 2024, na sua reeleição, de que não deixaria o cargo de prefeito e cumpriria os 4 anos de mandato. Mas, agora, pretende deixar a prefeitura com apenas 1 ano e menos de 3 meses do seu mandato…

Além disso, o PSD, partido do prefeito, terá candidato à presidência da república. Sendo Ratinho Jr, Eduardo Leite ou Ronaldo Caiado, não há como as juras de lealdade à candidatura de Lula ser cumprida por inteiro. Não tenho dúvida que qualquer um dos três nomes cogitados pelo PSD a presidente terá um bom desempenho no Rio e pode fraturar e fragilizar o palanque de Lula na aliança regional com o partido de Gilberto Kassab.

Lula tendo André Ceciliano para governador e Benedita da Silva para o Senado, terá assegurado uma base política forte e com capilaridade na capital, na região metropolitana e no interior. Vale lembrar que Ceciliano foi fundamental no apoio aos prefeitos do estado, durante a pandemia da Covid e Benedita foi vereadora na capital, senadora, vice-governadora e governadora, além de exercer seu sexto mandato como deputada federal.

Além disso, Lula poderá construir parcerias com o governo do estado ainda nesse ano. O que não conseguiu nesses 3 anos e 2 meses pela hostilidade do atual governador ao presidente.

Nas recentes pesquisas, Flávio Bolsonaro está à frente de Lula no Rio. Se o PL continuar com o comando do Guanabara, o quadro eleitoral não será bom para Lula no estado do Rio.

*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho