Reagan X Trump
Reagan, de onde estiver, deve estar pensando: "esse cara num filme estrelado por mim, nem para coadjuvante serviria".
Ronald Reagan era um ator de Hollywood que se converteu em porta-voz da General Eletric, em seguida um político com destaque no partido republicano. Foi eleito governador da Califórnia em 1966 e reeleito em 1970. Foi pré candidato a presidente dos EUA e perdeu as primárias do partido em 1968 e 1976. Em 1980, ganhou a convenção republicana e se elegeu o 40º presidente dos Estados Unidos. Se reelegeu, em 1984, e fez seu sucessor, George H. W. Bush, em 1988 - seu vice-presidente durante os 8 anos de mandato presidencial.
Donald Trump, empresário norte-americano, envolvido durante sua vida de negócios com concurso de miss, imóveis, hotéis, cassinos e programas televisivos. Nunca havia disputado uma eleição até se colocar como pré-candidato, em 2015, pelo partido republicano. Ganhou a eleição de 2016 com a menor votação popular da história do país, sendo eleito pela maioria dos delegados do colégio eleitoral. Perdeu a reeleição, em 2020, e plantou um movimento para impedir a posse de seu sucessor, Joe Biden, com a invasão do Capitólio. Voltou ao poder, em 2024, sendo o segundo presidente dos EUA a retornar à presidência depois de perder a reeleição. Biden, com problemas cognitivos, passou à vice-presidente, Kamala Harris, a disputa contra Trump tardiamente.
Reagan se aliou a Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica e ao papa João Paulo II, e sem dar um tiro sequer, derrubaram o regime decadente soviético, os regimes comunistas da Europa Oriental, tendo a queda do Muro de Berlim, meses depois de ter deixado a presidência dos EUA, como marco e símbolo da política externa bem sucedida pela tríade Reagan/Thatcher/João Paulo II.
Trump é sustentado por um movimento de direita que beira o fascismo com táticas de caça aos imigrantes como se fossem baratas. Tem desprezo pelos demais poderes e pelas instituições. Olha para a América Latina com desprezo. Tentou desestabilizar a democracia brasileira, conquistada com sangue, suor e lágrimas. Puniu um ministro do STF e sua esposa com a lei Magnitsky, retirou vistos americanos de outros ministros do Supremo e de membros do executivo brasileiro, meteu uma sobretaxa nos produtos brasileiros exportados aos EUA, e achou que com isso o Brasil ficaria de joelhos; não ficamos.
A Venezuela é um país depauperado pela incompetência, autoritarismo e corrupção de uma tal revolução bolivariana criada por Hugo Chávez e sucedida por Nicolas Maduro. Eles estão no poder há mais de 25 anos. Sete milhões de venezuelanos fugiram da desgraça bolivariana. Mais de 600 mil estão no Brasil. A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris confirmados. Só produz 1,1 milhão de barris/dia. O Brasil tem menos de 20 bilhões de barris confirmados de reserva e produz diariamente mais do que o dobro da Venezuela: 3 milhões de barris/dia.
O sequestro do ditador Maduro e sua mulher pelas forças armadas dos EUA é mais uma jogada trumpista de show midiático sem resultados práticos. Recentemente, recebeu Vladimir Putin no Alaska, de maneira pomposa, como se fosse capaz de dobrar o ditador russo. Se deu mal. A Rússia não é a Venezuela. Com os chineses, sempre que tenta falar mais alto, é obrigado a abaixar o tom.
Donald Trump quer o petróleo venezuelano para a indústria petrolífera norte-americana, seus maiores patrocinadores. Pouco liga para os venezuelanos e muito menos pela implantação de uma democracia no país. Os líderes europeus reagiram de maneira tímida e covarde. O Brasil reagiu com mais altivez.
Reagan, de onde estiver, deve estar pensando: "esse cara num filme estrelado por mim, nem para coadjuvante serviria".
*Jornalista. Instagram:
@sergiocabral_filho
