Por: Rudolfo Lago

Correio Político | Wagner fez a opção errada na sua "escolha de Sofia"?

Entre STF e Pacheco, Wagner ficou com Pacheco | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Depois da enorme repercussão do seu voto favorável à PEC que encurta o tamanho da toga dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defende-se nos bastidores dizendo que estava numa posição das mais desconfortáveis. Ele estaria diante de uma "escolha de Sofia", remetendo ao clássico filme estrelado por Merryl Streep em que ela tem de optar por um de seus filhos, salvando um deles e condenando o outro à câmara de gás dos campos de concentração nazistas. O resultado final da PEC que limita os poderes do Supremo ou desagradaria o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e boa parte dos senadores ou desagradaria o STF. Era uma situação ou outra.

 

Nada fácil

Decisão nada fácil. O filme mostra que Merryl Streep nunca se recuperou da escolha que foi obrigada a fazer. Nem teria como. As repercussões do posicionamento de Wagner já começaram a acontecer na quinta-feira (23). Os próximos dias dirão o tamanho delas.

Pacheco

A evolução dos acontecimentos tornou a PEC um projeto pessoal de Rodrigo Pacheco. Se a PEC fosse derrotada, ela se tornaria, então, uma derrota pessoal de Pacheco. E o governo precisa da boa vontade dele para levar adiante as pautas de seu interesse no Congresso.

Governo precisa do Senado. Mas precisa também do STF

Quais as consequências de uma derrota de Pacheco?

Como Pacheco reagiria a uma derrota que, então, se tornaria pessoal? De uma derrota que, assim, o desmoralizaria? Como reagiria diante do fato de que já vem sendo nos últimos tempos pressionado a se afastar mais do governo e assumir uma postura mais oposicionista dentro dos planos de seu aliado, Davi Alcolumbre (União-AP), de sucedê-lo? Diante desse quadro, Wagner optou por um aceno a Pacheco. Porque entende que o governo precisa do Senado. O problema da sua "escolha de Sofia": o governo depende também do Supremo. Está na pauta da Corte, por exemplo, a questão dos precatórios não pagos pela União.

Combinou?

O problema a essa altura, é saber se Jaques Wagner combinou, então, qual seria a sua "escolha de Sofia". Há informações de que, com o Planalto, sim, ele combinou. Teria sido combinada a estratégia pela qual ele assumiria a posição como pessoal para dar saída a Pacheco.

Com o PT

Aparentemente, porém, Wagner não combinou com o PT. E, se combinou com o Planalto, então por que não se desestimulou o trabalho do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) contra a proposta? A decisão surpreendeu a muitos.

Três votos

A PEC foi aprovada com somente três votos a mais que o mínimo necessário. E o que se viu desde terça-feira (21) é que, de fato, o resultado poderia ter sido o oposto. Foi por essa razão que Pacheco não colocou a PEC em votação na própria terça, optando por um teste.

Liberou

Ao liberar a bancada do governo, Wagner teria feito com que votos virassem a favor da PEC. Caso, por exemplo, do senador Otto Alencar (PSD-BA). O senador da Bahia agora administra o desgaste da sua "escolha de Sofia". Mas que desgaste haveria se resultado fosse oposto?

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