Por: Rudolfo Lago

Correio Político | Brasileiros desaprovam excesso de viagens de Lula

Voar, voar... Sociedade acha que Lula viaja demais | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em 1960, já era motivo de críticas e ironias com o então presidente Juscelino Kubitschek. Na sua canção satírica, "Presidente Bossa Nova", o humorista Juca Chaves já fazia troça com essa mania em JK. "Voar da Velhacap pra Brasília/Ver a alvorada e voar de volta ao Rio/Voar, voar, voar para bem distante/Até Versalhes…" Pesquisa divulgada na manhã de segunda-feira (16) pelo Instituto Paraná Pesquisas mostra que o excesso de viagens que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anda fazendo desagrada à maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 50,4% dos entrevistados desaprova as viagens que Lula tem feito, contra 44,1% que aprovam. Em nove meses completos de governo, Lula já foi a 20 países diferentes.

 

COP28

Lula irá aos Emirados Árabes para participar da COP28, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, no final de novembro. Depois, Lula vai à Alemanha, para uma reunião com o primeiro-ministro do país, Olaf Scholz, a convite do chanceler alemão.

Desgaste

Na verdade, antes da pesquisa do Instituto Paraná, levantamentos internos do governo já apontavam insatisfação da sociedade com o número de viagens de Lula. O governo, inclusive, já estudava a construção de discursos sobre a importância desses périplos ao exterior.

Lula imaginava esse papel internacional antes da posse

O mundo com duas guerras ficou mais complicado

Antes mesmo da posse, Lula já imaginava assumir mais esse papel. Tencionava aumentar o protagonismo internacional do país, dividindo as questões internas com o vice-presidente Geraldo Alckmin. O plano, porém, tem vários problemas. Aumentar o protagonismo interno de Alckmin gera ciúmes no PT. A situação política com o Centrão de Arthur Lira (PP-AL) faz com que as questões internas sejam mais complicadas do que se imaginava inicialmente. E o mundo também tornou-se mais complicado, com cenários de guerra na Europa (entre Rússia e Ucrânia) e agora no Oriente Médio (entre Israel e o grupo palestino Hamas).

Tributária

Enquanto o relator Eduardo Braga (MDB-AM) adia para 7 de novembro a leitura do seu texto sobre a reforma tributária, Efraim Filho (União-PB) apresentará na quinta-feira (19) as conclusões do grupo de trabalho que coordenou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Emendas

Embora não seja oficial, o grupo de trabalho criado na CAE reuniu diversas sugestões de mudanças na reforma tributária dos vários segmentos da economia brasileira. A intenção de Efraim é entregar esse conjunto de propostas como contribuição a Eduardo Braga.

Atraso

Essas idas e vindas da reforma no Senado mostram que a possibilidade de aprovação rápida das mudanças tributárias vai ficando menos provável. Incorpore ou não as sugestões da CAE, o fato é que Eduardo Braga fará alterações no texto que foi aprovado na Câmara.

Volta

As mudanças farão com que a reforma tenha de voltar à Câmara para nova apreciação. E se a Câmara alterar o texto de novo, ele volta para o Senado. E fica assim até que haja um consenso entre as duas Casas. Emenda Constitucional precisa desse consenso.

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