Por: Rudolfo Lago

Correio Político | Um ano depois da eleição, país continua dividido

O país segue dividido entre Lula e Bolsonaro | Foto: Reprodução

Metade dos brasileiros torce para o Lula Futebol Clube. A outra metade para a Sociedade Esportiva Bolsonaro. Um ano depois das eleições do ano passado, o Brasil segue dividido como se fosse duas torcidas de time de futebol. É o que mostra a última rodada da pesquisa "A cabeça do brasileiro", do Instituto Brasilis, do cientista político Alberto Carlos de Almeida. Segundo a pesquisa, 56% dos entrevistados tem avaliação positiva sobre o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E 53% ainda avaliam positivamente o governo Jair Bolsonaro, que terminou em dezembro. "A proximidade das duas avaliações positivas são sinais importantes da polarização e cristalização de dois campos políticos", observa Almeida. Fora, sobram só 3%.

 

A pesquisa

A pesquisa foi realizada por telefone, entre os dias 22 e 27 de setembro. Foram ouvidas 2.004 pessoas, de forma proporcional em municípios das cinco regiões do Brasil.

A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, e o índice de confiança do levantamento é de 95%.

Positivo

Na metodologia da pesquisa, a avaliação positiva é a soma do ótimo, bom e regular para bom. A avaliação negativa soma péssimo, ruim e regular para ruim. Naturalmente, os eleitores que se identificam mais à esquerda estão com Lula. E à direita com Bolsonaro.

Um alerta entre os beneficiários do Bolsa-Família

Eleitor não associa Bolsa-Família a Lula

Há um ponto que chama a atenção na pesquisa. Embora o PT sempre trabalhe o Bolsa-Família como uma conquista social dos seus governos, a percepção dos eleitores beneficiários do programa não parece ser a mesma. A avaliação positiva do governo Lula de quem recebe o Bolsa-Família está em 58%. E a avaliação negativa está em 41%. E chama a atenção que há um percentual de 25% dos beneficiários que acha o governo péssimo. Maior que o percentual daqueles que acham o governo ótimo, que está em 18%. Os que acham bom são 25%. Os que acham ruim são 8%. Quem ganha o benefício não parece ter sentimento de gratidão.

 

Bolsonaro

A pesquisa também mostra um percentual grande de beneficiários que gostam de Bolsonaro. A avaliação positiva entre os beneficiários é de 53%. E a negativa, 47%. O governo Bolsonaro foi ótimo para 21% dos beneficiário, e péssima na avaliação de 27%.

Comunicação

Para Alberto Carlos de Almeida, o alto percentual de beneficiários do Bolsa-Família que acha o governo Lula péssimo deve ser "um problema de comunicação". O governo não estaria sendo capaz, no tempo das redes sociais, de colocar o benefício às suas realizações.

Pobres

A pesquisa reforça recortes sociais que já se verificavam nas eleições passadas. A maioria daqueles que se consideram pobres avalia o governo Lula melhor que o de Bolsonaro. Já quem se considera rico ou classe média demonstra maior preferência por Bolsonaro.

Inflação

Outro dado de alerta da pesquisa é que não parece boa a expectativa da sociedade quanto à economia e a sua possibilidade de melhora. Para 73%, a inflação está alta e está aumentando. E 77% acham que está falando emprego no país e que há pessoas sem trabalho.

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