Justiça aponta fortuna ainda não localizada de fornecedor do PCC e CV investigado por esquema de R$ 4 bilhões
Decisão de Gilmar Mendes destaca poder econômico de Cabeça Branca e risco de reorganização criminosa, mesmo após oito anos de prisão
A Justiça aponta que parte dos recursos financeiros ligados ao traficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca, ainda não foi localizada. Apontado como fornecedor de cocaína ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), ele foi alvo de uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema que teria movimentado R$ 4 bilhões.
A informação sobre os recursos não localizados consta de decisão do ministro Gilmar Mendes (STF), que negou um pedido da defesa para transferir Cabeça Branca do sistema penitenciário federal para uma unidade estadual.
Segundo o documento, a organização criminosa liderada pelo traficante negociou aproximadamente 27 toneladas de cocaína entre 2014 e 2017, recebendo cerca de US$ 138,2 milhões com as atividades ilícitas.
A Justiça considera que, mesmo preso desde julho de 2017, Cabeça Branca ainda representa risco à segurança pública devido ao seu poder econômico, à rede de contatos e à possibilidade de reorganização do esquema criminoso.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) destacou que as instâncias anteriores examinaram informações sobre "o papel de comando do paciente e os recursos financeiros ainda não localizados", concluindo que permanecem os motivos para sua manutenção em presídio federal.
A defesa argumentou que o traficante, de 66 anos, não registra faltas disciplinares e enfrenta dificuldades de convivência familiar. Segundo os advogados, sua mãe, de 93 anos, não tem condições de viajar, enquanto um filho menor não o visita há mais de três anos.
Ao rejeitar o pedido, Gilmar Mendes ressaltou que "a periculosidade do paciente, sua capacidade de articulação extramuros e a gravidade das condutas imputadas justificam sua permanência no Sistema Penitenciário Federal".
A decisão mantém a renovação da permanência de Cabeça Branca no sistema federal por três anos. O documento não especifica o valor dos recursos que ainda não foram localizados.