TCU aponta gasto de R$ 2,5 bilhões por indefinição do governo Lula sobre Angra 3
Tribunal estabelece dois prazos de 120 dias para governo apresentar estudos e decidir sobre continuidade ou abandono das obras
O Tribunal de Contas da União (TCU) deu ao governo Lula dois prazos sucessivos de 120 dias para apresentar os estudos necessários e decidir sobre o futuro da usina nuclear Angra 3, no Rio de Janeiro. A determinação ocorre após o tribunal apontar que a indefinição sobre a continuidade das obras provocou gastos de cerca de R$ 2,5 bilhões à Eletronuclear entre 2024 e meados de 2026.
O primeiro prazo foi estabelecido para o Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, atualizar, se necessário, e disponibilizar os documentos necessários à decisão. Após essa etapa, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), presidido pelo ministro, terá mais 120 dias para decidir entre a retomada e o abandono programado das obras.
No Acórdão, o TCU aponta que a indefinição mantém despesas com a preservação das estruturas, manutenção do empreendimento e pagamento de dívidas, apesar de as obras estarem paralisadas há aproximadamente uma década.
O tribunal afirma que a situação contribuiu para o desperdício de cerca de R$ 2,5 bilhões entre 2024 e meados de 2026, utilizados na manutenção da estrutura da obra paralisada e no pagamento de despesas financeiras decorrentes de dívidas contraídas.
Em fevereiro de 2025, o Ministério de Minas e Energia apresentou voto favorável à conclusão da usina. Na ocasião, porém, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, pediu vista do processo, sob a justificativa de que se tratava de um tema complexo e ainda em análise pelo governo.
Em outubro daquele ano, o CNPE determinou a atualização dos estudos sobre o empreendimento. As informações entregues posteriormente indicaram que a conclusão das obras custaria aproximadamente R$ 24 bilhões, enquanto o abandono do projeto teria custo estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
O TCU também identificou reflexos financeiros em outras empresas do setor nuclear. Em 2025, a Eletronuclear registrou prejuízo líquido de R$ 142 milhões e dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões. Já as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), fornecedoras de combustível para as usinas de Angra 1 e 2, tiveram prejuízo de R$ 156 milhões, em grande medida devido a atrasos nos pagamentos da Eletronuclear.