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Dino envia à PF documentos sobre ligações do Banco Master com cemitérios de SP

Ministro encaminhou informações da Prefeitura, do Ministério Público e da CVM para investigação sobre possíveis irregularidades nas concessões

Por Lucas Gayoso - BSB

Flávio Dino (STF) determinou o envio de documentos relacionados ao Banco Master à PF

O ministro Flávio Dino (STF) determinou o envio à Polícia Federal (PF) de documentos sobre possíveis ligações do Banco Master com empresas responsáveis pela administração de cemitérios de São Paulo. A decisão ocorre após a PF confirmar a abertura de um inquérito para investigar o caso.

Entre os documentos encaminhados estão informações da Prefeitura de São Paulo, do Ministério Público estadual e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que identificou 23 processos administrativos relacionados ao levantamento sobre as concessionárias de cemitérios paulistanos.

Desse total, 12 tramitam na Superintendência de Registro de Valores Mobiliários, nove na área de securitização e agronegócio e dois na área de supervisão de mercado, derivativos e riscos sistêmicos.

A investigação também envolve a Cortel SP, concessionária que teve Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, em seu Conselho de Administração. Segundo a Prefeitura, Zettel deixou o cargo em outubro de 2025, não possuía poderes executivos ou de controle e nunca integrou o quadro acionário da empresa.

O Ministério Público de São Paulo também apura possíveis irregularidades na gestão das concessionárias Consolare, Cortel SP, Grupo Maya e Velar SP. Entre as suspeitas estão o compartilhamento irregular de operações e frotas e uma eventual interferência do Banco Master nos contratos.

A Prefeitura de São Paulo sustenta que os contratos de concessão foram firmados regularmente e nega a existência de uma fusão informal entre a Cortel e o Grupo Maya. Também afirma que a utilização de endereços eletrônicos vinculados ao Banco Master em assinaturas digitais não representa ingerência da instituição financeira nas concessionárias.

A investigação foi determinada por Dino em setembro, quando o ministro também encaminhou informações ao presidente do STF, Edson Fachin, para juntada a um procedimento que apura condutas de André Mendonça. Dino, entretanto, proibiu a Polícia Federal de realizar atos investigativos contra o magistrado nesse inquérito, estabelecendo que eventuais medidas envolvendo Mendonça deverão passar pela Presidência e pelo colegiado do Supremo.