Bia Kicis diz que Kassio decepcionou ao não julgar Moraes
A deputada federal Bia Kicis (PL), candidata ao Senado, afirmou que se decepcionou com a decisão do ministro Kassio Nunes Marques (STF) de se declarar impedido no julgamento envolvendo Alexandre de Moraes. Em entrevista ao Correio da Manhã, Kicis disse esperar que o magistrado reveja a posição e defendeu que ele não deixe André Mendonça "sozinho" na Corte.
A parlamentar também falou sobre a disputa pelo Senado no Distrito Federal, criticou a senadora Leila do Vôlei (PDT), defendeu o impeachment de ministros do STF e relatou conversas com Michelle Bolsonaro sobre os cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Kicis ainda elogiou a atuação de Luiz Fux e afirmou que Dilma Rousseff "acertou" ao indicá-lo para o Supremo.
Há uma disputa apertada entre a senhora e a Leila do Vôlei para o Senado. Como enxerga esse cenário?
Olha, eu estou enxergando uma campanha belíssima, a minha campanha e a da Michelle. É uma campanha que eu acho que está chegando ao coração das pessoas. Não é à toa que eu estou crescendo muito a partir do momento em que a Michelle pegou na minha mão e disse: "Vamos juntas". Nós somos a chapa do coração do Bolsonaro, e as pessoas também já conhecem o meu trabalho. Isso está dando muita liga.
Eu comecei em quarto lugar, mas, desde o início, eu tinha muita convicção de que, à medida que as pessoas fossem me conhecendo, eu ganharia votos, porque o fato é que a minha rejeição era muito baixa. O que eu tinha era um problema de desconhecimento por parte de grande parcela da população, porque, como deputada federal, eu sempre atuei muito nas pautas nacionais, que é o que aparece mais nas redes, e trabalhei muito aqui no DF, mas a gente não dava tanto foco para dar publicidade a isso. E aí eu percebi que, para uma campanha majoritária, isso é um erro.
Qual é a sua opinião sobre a Leila?
Eu sempre me dei muito bem com a Leila, pessoalmente. Eu sou uma pessoa educada, de diálogo, e ela também. Então, nunca tivemos problemas de relacionamento. Mas o fato é que eu, e a grande maioria do povo aqui de Brasília, temos uma memória afetiva da Leila do Vôlei. Só que a Leila parlamentar, senadora, não é a Leila do Vôlei.
A gente não está lidando com o partido do vôlei. Aqui, a gente está numa eleição que é uma guerra. É a Leila do Lula. Ela votou 97% das vezes com o Lula. E a Leila foi eleita na onda do Bolsonaro. Não que ela se dissesse bolsonarista, mas ela entrou na onda dos outsiders. Então, muita gente de direita votou na Leila e agora está descobrindo que foi traída.
Na CPMI do INSS, a Leila foi para cima da coronel Fernanda. Por quê? Porque estávamos votando ali a convocação do Lulinha para ele ser investigado. Eu tinha feito requerimento para buscarem a lista do avião, por onde pegavam que o Lulinha viajou com o Careca. A esquerda foi contra, a base do governo foi contra. E a Leila não aceitou que se convocasse o Lulinha.
Na hora de julgar Moraes, Nunes Marques se declarou impedido. Como avalia essa decisão?
Para nós, foi uma surpresa. A gente não esperava isso. Porque, quando você vê que tem alguns ministros que são ousados para fazer tudo de errado, a gente espera que aqueles que estão ali para fazer o que precisa ser feito corretamente, que não foram colocados pelo Lula, pela Dilma, façam o que precisa ser feito, enfrentem o julgamento. Que não saiam pela tangente.
Foi uma decepção. Mas eu não quero ficar aqui também fazendo críticas. Isso foi uma atitude dele que decepcionou, porque a gente esperava que ele apoiasse ali o ministro André Mendonça. Não deixasse o Mendonça sozinho. Aí tem o ministro Fux, que está sendo uma surpresa boa também, desde que ele começou a rever as decisões do 8 de Janeiro. A gente sabe que pode contar com poucos ali e a gente não quer abrir mão de nenhum. Por isso que a gente espera que o ministro Kassio reveja esse posicionamento.
A senhora acredita que haverá uma mobilização até da classe política para que Nunes Marques volte e se declare apto a julgar no processo de Moraes?
Eu gostaria que isso acontecesse. Para o André ficar mais encorpado, mais protegido, inclusive. E vou dizer uma coisa para o ministro Kassio Nunes pensar: não adianta ele ceder à pressão, porque o outro lado não cede nunca.
Qual tem que ser a posição do Senado a partir de janeiro de 2027 em relação a isso?
Eu poderia ter vindo à reeleição para deputada federal. Seria bem mais tranquilo, porque eu fui a parlamentar mais bem votada do DF em 2022. Fiz a minha cadeira sozinha, ainda puxei outro, que o Fraga veio comigo. Mas a minha vida política não se pauta pela tranquilidade, mas por missões.
A gente precisa agora, no Senado, votar o impeachment de ministro. E eu estou pronta para isso. Eu vou votar a anistia ampla, geral e irrestrita. Nós vamos devolver a liberdade aos nossos presos políticos, que estão sofrendo, as famílias estão sofrendo, filhos afastados dos pais, pais afastados dos filhos. Os exilados, para que, se quiserem, possam voltar ao Brasil.
Sobre o impeachment de ministros, quais estão no começo dessa fila?
O primeiro é o Alexandre de Moraes, sem dúvida. Eu ando por aí, converso com as pessoas, a gente faz comício, discurso, fala das pautas. Na hora em que a gente fala que uma delas é fazer o impeachment de Moraes, o povo vibra. E eu não estou falando que estou conversando só com o povo militante. Estou falando da periferia, onde a gente fala dos projetos sociais que fazemos.
Algum outro ministro que esteja também nessa fila, na avaliação da oposição?
Sim, eu acho que tem. Por exemplo, nós temos quilos de pedidos de impeachment do Dias Toffoli. A forma como o Dino está se portando também.
O que a Michelle lhe fala sobre Jair Bolsonaro?
Ela fala muito da questão da saúde dele, das dificuldades, que ela precisa estar perto mesmo porque ninguém mais pode cuidar dele e ele precisa ser cuidado. Quem conhece Bolsonaro sabe que ele é indisciplinado, que só faz o que ele quer. Então, ela brinca, fala que, se ela não der os remédios, puser o remédio na mão dele, ele joga por alto: se cai na boca, ele toma; se cai no chão, fica. Ela brinca, mas quem conhece Bolsonaro sabe que ele é um cara bonachão, bom coração. Ele sempre foi muito independente e agora tem que ser cuidado.
Que tipos de cuidado ele tem necessitado?
A comida dele tem que ser toda especial, por conta daquela maldita facada que ele levou. O Bolsonaro era um atleta antes, uma saúde de ferro. Agora ele tem um monte de problemas. Barriga é o seguinte: mexeu, nunca mais volta a ser o que era.
Dilma Rousseff acertou ao indicar Luiz Fux para o STF?
Acertou. Está vendo? Todo mundo tem direito a acertar nessa vida. Acertar e errar. E a Dilma errou muito, mas acertou nisso. Indicou o Fux para o Supremo. Primeiro porque ele é juiz de carreira. Hoje ele é o único juiz de carreira no Supremo Tribunal Federal. A gente está sentindo falta de juízes de carreira.
Então Bolsonaro poderia ter indicado dois juízes de carreira?
Sim, poderia. Mas não estou dizendo que teria que ser necessariamente um juiz de carreira. O ministro André está se saindo muito bem. Aliás, tem sido o guardião da Constituição ali. Mas precisa ter mais juízes de carreira. Na minha visão, faz falta.
E ele tem demonstrado uma separação, uma distância que o juiz tem que guardar das partes. Então, ele tem promovido a Justiça e tem atuado com coragem também. Porque a gente sabe que não é fácil enfrentar aquelas pessoas lá, que são bastante audaciosas, aqueles outros ministros audaciosos para fazer o que eles querem e passar por cima também do que eles querem. Então, ele tem sido também corajoso e eu estou gostando muito de ver a atuação dele.