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Wilker Leão relata bastidores de prisão na UnB e declara voto em Flávio Bolsonaro

Por Paulo Cappelli e Lucas Gayoso

Candidato a deputado, Wilker Leão concedeu entrevista exclusiva ao Correio da Manhã

Influenciador e candidato a deputado federal pelo partido Novo no DF, Wilker Leão foi preso após pintar de branco paredes do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Ex-aluno da instituição, ele afirma que a ação fazia parte de um ato de campanha para "revitalizar" o espaço e apagar pichações e grafites que considerava ideológicos ou ofensivos.

Em entrevista ao Correio da Manhã, Wilker relatou os bastidores da detenção, as condições da cela e a prisão de seu videomaker. Também falou sobre as críticas que fez no passado ao governo de Jair Bolsonaro e declarou, pela primeira vez, que votará em Flávio Bolsonaro, e não em Romeu Zema, no primeiro turno da eleição presidencial.

O que aconteceu na UnB e como eram as pichações e os grafites que o senhor decidiu pintar de branco?

Estou em campanha eleitoral, sou candidato a deputado federal pelo Distrito Federal e estou fazendo diversos atos de campanha, principalmente na UnB, pois essa é a minha principal pauta: libertar a educação brasileira das garras ideológicas da esquerda, principalmente as universidades federais. Eu sou ex-aluno da instituição, fui expulso de lá por perseguição.

Quando fui fazer um ato na UnB para revitalizar o patrimônio, a gente foi ao Instituto de Artes, que é o prédio mais pichado que eu já vi na minha vida. A ideia era mostrar o que acontece ali e futuramente revitalizar. A universidade chegou a pintar o prédio de branco antes do nosso ato, mas, em coisa de três dias, os alunos picharam tudo novamente. Então, a gente foi lá fazer esse trabalho de revitalização, pintando de branco aquilo que estava pichado e que a gente considerava ideológico.

A maioria, eu diria coisa de 75% para mais, eram pichações, escritos de palavras de ordem, de esquerda contra a direita, doutrinação ideológica para o esquerdismo. Che Guevara, alusões diversas a Che Guevara, "o comunismo salva", "faísca revolucionária está aqui".

Entre os grafites, o simbólico, que foi o primeiro que eu pintei de branco, foi a imagem de Jesus Cristo sendo beijado por Satanás, numa completa manifestação de intolerância religiosa ao cristianismo. Imagina se fosse uma pichação fazendo uma alusão negativa a religiões de matriz africana. Seria intolerância religiosa na certa, daria denúncia do Ministério Público, diversos processos.

Quando há um símbolo LGBT que não está fazendo uma afronta a alguma pessoa, por que não deixá-lo ali?

Haveria a possibilidade disso acontecer se, por exemplo, a gente tivesse, como não temos porque é estigmatizado como machismo, um movimento de homens e mulheres conservadores e tradicionais. Digamos que eles tenham uma bandeira e estivesse ali. Não haveria essa possibilidade de ter.

Inclusive, há muito disso ali. Alusões a tudo ser machismo. "O machismo oprime", não sei o quê. O que é o machismo? Deveria ser algo que retirasse o direito de populações LGBT, o direito legítimo de mulheres serem livres e exercerem essa sua liberdade, esses seus direitos.

Isso deveria ser o machismo. Mas o que é o machismo, tal como é o fascismo para eles? Tudo aquilo que discorda do que eles acreditam.

Esse é o problema. Quando eles picham e pintam, grafitam coisas do movimento LGBT, eles não querem simplesmente manifestar a sua liberdade de serem lésbicas, gays e por aí vai. Eles querem transmitir essa mensagem. E aí está o problema.

Porque hoje a gente tem uma imposição que não permite que você seja contra trans no banheiro feminino. Você não pode nem ser contra, senão você é transfóbico.

Então, eu quero dizer isso: não vai ter nenhuma bandeira LGBT ali porque a gente sabe muito bem, no final das contas, o que ela quer transmitir lá, que são essas proibições a todo mundo que pensa diferente, os enquadrando como machistas e por aí vai.

Como foi a prisão do seu videomaker?

O delegado determinou a prisão também, nos mesmos termos, do meu videomaker, que é um profissional contratado para ser videomaker. Ele não estava pintando, não tocou em tinta alguma. E a gente tem a gravação de tudo isso.

É como se você, Paulo, estivesse aqui fazendo entrevista comigo e começasse a ter uma opinião criminosa, que ultrapassasse o seu direito à liberdade de expressão, e o Pedro Freire, que está aqui na câmera, na edição, fosse preso pelo crime que você eventualmente cometesse. Foi isso que aconteceu ali.

A individualização da pena é um dos princípios do direito penal. Tudo é avaliado individualmente, com base na conduta de cada um. O delegado prendeu o meu videomaker com base no crime de dano ao patrimônio público. Considerando que eu revitalizar a parede pintando de branco seja crime — vamos partir desse pressuposto, do qual eu discordo —, como que o meu videomaker incorre no mesmo crime? Como que ele é coautor? Ele foi enquadrado como coautor. Ficou preso comigo durante 25 horas e meia, um dia e pouco que a gente ficou lá.

Como eram as condições da cela em que vocês ficaram?

A cela é dividida em três espaços, basicamente. Tem a parte inicial ali, os corredores intermediários, que dão para a cela final, onde tem os colchões, tem o sanitário, que é basicamente um buraco no chão. Tem a famosa janelinha quadrada, onde você vê o sol nascer quadrado. É tão pouco espaço que não dá nem para ver o sol nascer.

Até então, inclusive a gente que está do lado da direita, a gente não quer que tenha conforto nesses lugares. E eu acho legítimo e ok que seja assim. Tem que ter o mínimo de dignidade humana, óbvio. E esse é o problema, principalmente para a gente que não era criminoso ali. Qual que era o meu crime? Pintar uma parede branca? Eu matei alguém? Eu cometi graves crimes? Fui violento? Prejudiquei famílias? Não. Eu pintei uma parede branca.

Tinha comida podre lá, barata para tudo que é canto, larva nos colchões, os cobertores, tudo com larva passando, barata, os colchões podres. A gente preferiu afastar o colchão e sentar no concreto do que sentar naquele colchão ali.

O senhor é candidato pelo Novo, que tem Zema como candidato à Presidência. Qual é a sua posição na eleição presidencial?

A direita sofre de um problema hoje, que é cada um fazer o seu trabalho e não nos ajudarmos. Eu mesmo fico muito isolado, porque sempre tive essa postura. Sempre dentro da direita, nunca tive essa aproximação por brigar com a hegemonia da direita, que ainda hoje é o bolsonarismo. Ao invés de nós unirmos forças para combater o verdadeiro inimigo e dirimirmos nos bastidores as nossas controvérsias.

E eu vou aproveitar essa oportunidade para falar pela primeira vez que, no primeiro turno, meu voto é Flávio Bolsonaro. Porque não tem condição de a gente apostar no Zema, que eu gosto muito, que fez um maravilhoso mandato ali no governo de Minas, ajeitando tudo, colocando as contas públicas no lugar, mas que infelizmente hoje não tem viabilidade eleitoral.

A gente precisa dar a possibilidade para a direita, que hoje é representada pelo Flávio Bolsonaro, de vencer no primeiro turno. Então, a gente precisa se unir. E eu vou fazer a minha parte votando no Flávio já no primeiro turno.