PF encontra contrato de R$ 3 milhões por mês entre Vorcaro e escritório de Viviane de Moraes
PF também identificou pagamentos de R$ 3,4 milhões e cobranças de Vorcaro para que repasses não atrasassem
A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Daniel Vorcaro documentos relacionados a um contrato de R$ 3 milhões mensais entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes (STF).
O material consta de relatório da PF produzido a partir da análise do aparelho apreendido com o ex-controlador do Banco Master. O ministro André Mendonça (STF) retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo do documento.
Segundo a investigação, as tratativas aparecem em conversas de Vorcaro com um contato salvo como “Vivi Moraes”. Em 11 de janeiro de 2024, ela encaminhou ao banqueiro uma minuta e escreveu: “Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise”.
Dias depois, em 17 de janeiro, o contato encaminhou a versão final do acordo. De acordo com a PF, o contrato previa o pagamento de R$ 3 milhões por mês ao escritório.
Os pagamentos efetivamente identificados pela PF chegaram a R$ 3.422.268,14. Em fevereiro de 2024, Vorcaro pediu a Fabiano Zettel o contrato assinado com o escritório e perguntou quando havia sido realizado o primeiro pagamento.
A investigação encontrou ainda um comprovante de transferência do Banco Master para a Barci de Moraes Sociedade de Advocacia no valor de R$ 3.422.268,14.
“Pagamento mais importante”
As conversas analisadas pela PF mostram que Vorcaro demonstrava preocupação especial com o cumprimento dos pagamentos ao escritório.
Em mensagem a um funcionário do banco, o empresário afirmou que o contrato com a Barci de Moraes era o “pagamento mais importante que temos” e determinou que não houvesse atraso. Em outra mensagem, escreveu: “Pode pagar sempre, sem nota” e “do jeito que for”.
A PF também encontrou uma mensagem de Fábio Faria a Vorcaro sobre o pagamento. Na conversa, o ex-ministro escreveu: “O careca não pode atrasar”.
Em julho de 2025, Vorcaro voltou a tratar do contrato e orientou que ninguém tivesse acesso ao documento. Naquele mês, a investigação identificou outro pagamento de R$ 3.422.268,14 ao escritório.
O relatório da PF não conclui, a partir desses elementos, que Alexandre de Moraes ou Viviane de Moraes tenham cometido irregularidades. A análise integra as investigações realizadas a partir do material apreendido com Vorcaro.