PF aponta influência de suspeito de elo entre PCC e máfia italiana em setores público e privado

Agati é apontado pela PF como líder e articulador da organização investigada na Operação Mafiusi

Por Lucas Gayoso - BSB

Agati é apontado pela Polícia Federal como articulador do Primeiro Comando da Capital

? A Polícia Federal (PF) aponta que Willian Barile Agati, investigado como elo entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana 'Ndrangheta, exercia influência em "diversos outros setores público e privado". A informação consta de documentos da investigação sobre uma organização acusada de enviar grandes carregamentos de cocaína para a Europa e lavar os recursos obtidos com o tráfico.

? Agati é apontado pela PF como líder e articulador da organização investigada na Operação Mafiusi. Segundo os autos, ele seria responsável por grandes carregamentos de cocaína e pela estruturação de empresas utilizadas para movimentar e ocultar recursos ilícitos.

? Ao descrever a suposta posição de comando do empresário, a investigação afirma haver elementos sobre sua atuação na aquisição de bens e constituição de empresas destinadas à lavagem de dinheiro, além de possível envolvimento em homicídios relacionados a prejuízos no tráfico. É nesse contexto que os investigadores registram sua suposta influência em "diversos outros setores público e privado".

? O documento, no entanto, não especifica nesse trecho quais seriam os setores públicos alcançados pela influência atribuída a Agati. Também não identifica agentes públicos que teriam mantido relação com o investigado nem aponta eventual pagamento de propina ou prática de corrupção.

? A investigação mostra, por outro lado, que a atuação empresarial atribuída a Agati se espalhava por diferentes atividades privadas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citados no processo relacionaram o empresário e empresas sob sua responsabilidade a dezenas de comunicações de operações financeiras consideradas suspeitas.

? Segundo manifestação do Ministério Público Federal (MPF) reproduzida em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o nome de Agati aparece associado a 68 comunicações de atividades financeiras suspeitas. A Better Filters Filtros para Cigarro, empresa da qual ele seria proprietário ou responsável, aparece ligada a outras 14 comunicações. Já a FI1RST Agência de Viagens e Turismo é relacionada a 28 registros de atividades suspeitas.

? As empresas vinculadas ao investigado alcançavam diferentes ramos. Investigações anteriores já apontaram sua atuação nos setores de turismo, venda de automóveis, aviação e agenciamento de jogadores de futebol.

? A investigação também encontrou relações com empresas responsáveis pelo transporte público em São Paulo. A PF e a Receita Federal identificaram transações entre empresas ligadas a Agati e a Transwolff e a Transunião, concessionárias do transporte coletivo da capital paulista. Os pagamentos investigados chegam a R$ 10 milhões e envolvem a Jet Class Aviation.

? Essas relações, porém, não significam que seja essa a "influência" no setor público mencionada pela investigação. O documento não estabelece diretamente essa ligação.

? A dimensão financeira atribuída ao grupo também chamou a atenção dos investigadores. Agati é associado a uma rede que, segundo a PF, movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões entre janeiro de 2018 e outubro de 2022.

? Agati está preso preventivamente. A Justiça considerou sua suposta posição de liderança, a dimensão das operações financeiras e os indícios de continuidade das atividades até 2024 como elementos para a manutenção da prisão. A defesa nega que ele integre o PCC e contesta as acusações.