PF será protagonista no embate entre Lula e Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) ganhará protagonismo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Líderes nas pesquisas, os dois candidatos modulam discursos para fazer acusações de interferência na corporação com um objetivo em comum: proteger familiares de investigações em curso.
De um lado, Flávio já explora os inquéritos que atingem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no caso das fraudes do INSS. Do outro, Lula pretende resgatar as acusações de interferência de Jair Bolsonaro na PF e associá-las às investigações que alvejaram Flávio durante o governo do pai.
A ofensiva de Flávio Bolsonaro ganhou força com a abertura das investigações envolvendo Lulinha. A PF apura suspeitas relacionadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e possíveis negócios e relações de influência envolvendo o filho do presidente e autoridades públicas, como o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, e integrantes do Ministério da Saúde.
O caso contou com um novo ingrediente após o remanejamento de três policiais federais que atuavam nas apurações. Entre eles, está um integrante da área de polícia fazendária responsável por analisar movimentações financeiras e contas relacionadas a Lulinha. Essas mudanças, que provocaram uma crise entre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
No campo oposto, aliados de Lula pretendem relembrar a reunião ministerial ocorrida em 2020 na qual o então presidente Jair Bolsonaro disse que pretendia interferir em órgãos de segurança e inteligência para evitar que parentes fossem atingidos por investigações.
"Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso interferir na minha segurança? Por isso, vou interferir! E ponto final, pô!", disse Bolsonaro durante a reunião gravada.
Na ocasião, o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, entregou o cargo e acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.
O episódio ocorreu em um período no qual corriam investigações sobre suposta rachadinha no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A disputa em torno da PF ocorre em meio a outra estratégia compartilhada pelos dois favoritos. Lula e Flávio evitaram o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band no domingo (23), e deixaram o palco para adversários que aproveitaram as ausências para atacá-los.
Nas duas campanhas, a avaliação é semelhante: na liderança das pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro têm mais a perder do que a ganhar em confrontos com candidatos que buscam ampliar a exposição. A estratégia é evitar que os debates produzam ataques e conteúdos negativos contra os favoritos e preservar a polarização direta entre os dois.