Malafaia diz ser alvo de perseguição de Moraes: "Quer me calar a todo custo"
Em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, o pastor Silas Malafaia acusou o ministro Alexandre de Moraes (STF) de perseguição política e religiosa e comentou o cenário eleitoral de 2026. O líder evangélico também falou sobre o apoio a Flávio Bolsonaro (PL), a relação com Jair Bolsonaro e os embates dentro da direita.
O STF começou a julgar uma ação penal contra o senhor por suposta injúria durante um discurso na Avenida Paulista no qual chamou generais de "frouxos". Por que o senhor considera o caso uma perseguição política?
A vergonha está no documento que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, envia ao STF para me denunciar. Está escrito que, em evento público na Avenida Paulista, eu injuriei o general Tomás Paiva [comandante do Exército] e imputei a ele fato definido como crime.
Então, meu primeiro desafio a Paulo Gonet e Alexandre de Moraes: onde citei o nome do general? Não tem sujeito determinado. Minha fala é genérica.
Puríssima perseguição política. Para ficar bonita a demonstração da perseguição política, o mesmo Paulo Gonet agora está querendo livrar a cara do filho de Lula, que está envolvido até o pescoço nessa roubadeira do INSS. Ele pede ao André Mendonça para colocar o caso na primeira instância porque ele não tem foro no Supremo. E eu tenho, por algum acaso?
O senhor vê uma discrepância entre o STF julgar o seu caso e Paulo Gonet pedir que o caso de Lulinha, no âmbito das investigações do INSS, seja enviado à primeira instância?
Isso é uma vergonha. Desculpa, isso é tudo combinado, amigo. Alexandre de Moraes tem lado. Já mostrou isso ao fazer reunião com Alcolumbre e Lula para apaziguar. Isso é uma vergonha.
E Paulo Gonet está junto nessa brincadeira. Então, pede para livrar a cara do Lulinha. Eu tenho direito ao duplo grau de jurisdição. Quem tem foro no Supremo? Eu não tenho. Então, ele inventa uma engenharia para mandar para Alexandre de Moraes.
O senhor acredita que tem chance de ser absolvido no inquérito das fake news, relatado por Moraes, a quem já chamou de "ditador da toga"?
Meu advogado vai apresentar a defesa e mostrar que isso é um absurdo. Espero que Zanin e Cármen Lúcia exercitem a justiça e a verdade e sejam contra essa aberração.
Hoje completa um ano que Moraes apreendeu meu passaporte, meus cadernos teológicos e meu telefone quando eu estava chegando do exterior. Para apreender o passaporte de alguém, tem que haver risco iminente de fuga. Eu estava chegando, não saindo. Pura covardia, típica de ditadores.
Nos últimos cinco anos, fiz mais de 50 vídeos denunciando crimes e absurdos de Alexandre de Moraes. A partir de 2024, organizei manifestações e, nos meus discursos na Avenida Paulista e no Rio, denunciei Alexandre de Moraes de maneira dura. Então, esse cara quer me calar a todo custo. É uma perseguição política e religiosa.
Os Estados Unidos avaliam novas medidas contra Moraes, inclusive a retomada da Lei Magnitsky. O senhor apoiaria uma iniciativa do governo Trump contra o ministro?
Eu não acho que isso seja uma coisa de fora, de vir aqui e dizer: "Vamos dar uma Magnitsky, vamos ferrar esse cara." Isso é uma questão nossa, não de Donald Trump.
É claro que existem fatores de direitos humanos que o norte-americano leva muito a sério, e liberdade de imprensa também. Mas isso é uma vergonha para nós. Um Senado subserviente ao STF faz com que esses caras se tornem abusados.
Eu não acho que a Magnitsky vá resolver as atitudes dele aqui dentro: atitudes antidemocráticas, injustas, que não condizem com a Carta Magna.
O que pode pesar mais na eleição: a relação de Flávio com Daniel Vorcaro ou o escândalo envolvendo Lulinha e o INSS?
Sem nenhuma sombra de dúvida, a questão que envolve roubalheira de dinheiro público. E não é qualquer dinheiro: é dinheiro de pessoas idosas.
E quem disse que a turma do PT, de Lula, não está envolvida na questão do Master? Quem te falou? Jaques Wagner? Até o pescoço. Lewandowski? Também. Então, não tem esse negócio de que a turma da esquerda está livre do Vorcaro e do Master.
Eu não sou a favor de nada disso. Não sou a favor nem de dinheiro para filhos de Bolsonaro, quero deixar isso bem claro.
No ano passado, o senhor defendia Tarcísio para a Presidência. Agora apoia Flávio, mas diz que não organizará atos de campanha. Por quê?
Eu não sou do PL. Sou apoiador, sou aliado, mas não sou alienado. Meu apoio era para Tarcísio e Michelle, porque eu achava que era o melhor. Agora, eu não tenho o poder de decidir isso.
A partir do momento em que foi decidido que é Flávio, tenho apoiado o Flávio abertamente, em vídeos e tudo. Mas nunca fui a evento partidário, nem com Bolsonaro.
Evento partidário eu não vou de ninguém: nem de Bolsonaro, nem de Flávio. Eu não pertenço a partido político. Mas apoio o Flávio sem nenhum problema. Já gravei vídeo, vou falar e tenho falado.
Qual é a sua opinião sobre a chapa Flávio e Alfredo Gaspar? O senhor preferia outro nome para vice?
Eu achava que o melhor para ser vice do Flávio, se a chapa tinha que ser pura, era a Priscila Costa. A menina lá do Ceará. Porque o Flávio defendia sempre uma mulher como vice. Então, eu defendi a Priscila: uma garota preparada, mãe de família, bocuda, sabe falar, cearense. Porque ele precisa juntar a questão do Nordeste com a questão da mulher.
Só que eu também não tenho poder para decidir isso. Aí ele colocou o Gaspar. Não acho que errou. É uma opção. Ele tinha três, quatro opções. O Gaspar, promotor público, como secretário de Segurança Pública de Alagoas, botou para ferver os índices de crimes.
Flávio deve participar dos debates presidenciais mesmo se Lula não comparecer?
Se Lula não vai, ele também não deve ir. Senão, vai virar alvo do debate e da própria direita. Ele está correto. Lula vai? Eu vou. Lula não vai? Eu não vou. Vai virar alvo. E tem gente lá, com todo o respeito, que não tem equilíbrio nenhum. Vai vir em cima dele. Ele não é besta. Vai ser alvo de tiro da própria direita para tentar detonar ele.
Se Lula, que é o presidente, não vai, ele vai por quê? Está correto.
Em relação a Caiado e Zema, o senhor acredita que eles terão uma postura agressiva em relação a Flávio?
Eu acho que eles vão tentar. Não vão ficar sem fazer nenhuma crítica a Bolsonaro, eu não acredito. Eu acredito que eles vão fazer críticas ao Flávio. Vai ter crítica de Caiado e de Zema, mas no segundo turno vai estar todo mundo junto. Não vai ter saída.
Lula tem feito acenos ao eleitorado evangélico. Ele pode recuperar votos nesse segmento?
Lula não engana mais os evangélicos. Na última eleição, fez uma carta aos evangélicos dizendo que era contra o aborto e a favor da vida. No primeiro dia da ministra da Saúde no governo Lula, ela derrubou portarias que Bolsonaro criou para dificultar o aborto. No primeiro mês do governo, Lula tirou o Brasil do pacto das nações antiaborto.
Michelle e Flávio tiveram uma ruptura pública e depois apareceram juntos. O senhor atuou nos bastidores para tentar aproximá-los?
No primeiro momento, com o vídeo da Michelle, eu acredito que ela também perdeu. Ela não só machucou o Flávio, mas também saiu prejudicada.
Agora eles se pacificaram, gravaram juntos e isso vai aparecer no programa eleitoral dos dois. Eu sempre falei para o Flávio e para a Michelle: "Vocês têm que chegar a um acordo. Estão no mesmo barco e não podem estar divididos."
Havia um jogo pesado dos dois lados, gente perto querendo aumentar a briga. Depois, eles caíram em si. Teve gente aconselhando, como a governadora de Brasília, que foi muito importante para Michelle. Eu também dei uma pitadinha no Flávio.
Se pudesse conversar hoje com Jair Bolsonaro, o que diria a ele?
Eu tenho uma cautelar. Alexandre de Moraes me proibiu de falar com Bolsonaro. Nem que Bolsonaro estivesse livre eu poderia falar com ele.
Mas, já que você está me perguntando, eu diria: "Dê bons conselhos para teu filho Flávio. Mostra onde você errou e onde acertou, porque a experiência é fundamental para quem vai governar um país."
O senhor acredita que Flávio chegará ao segundo turno e vencerá Lula?
Eu acredito, meu amigo. Não entraria em nada em que não acredito. Minha preferência era Tarcísio. Isso eu falei para você. Agora, dizer que alguém é melhor que o outro não significa que o outro não presta.
Flávio tem competência para ser presidente? Tem. Caiado tem? Tem. Zema tem? Tem. Mas, no jogo político, no xadrez político e na estratégia política, é Flávio o melhor para derrubar Lula.