Trump manda inteligência dos EUA investigar avanço da China sobre o agro brasileiro
Avaliação inclui relação de Xi Jinping com autoridades brasileiras e presença de empresas chinesas no setor
Os Estados Unidos determinaram que sua inteligência avalie a dimensão dos investimentos da China no agronegócio brasileiro e os interesses estratégicos de Pequim no setor. A medida prevê uma análise da atuação do governo chinês, de empresas do país e até do envolvimento do presidente Xi Jinping com autoridades brasileiras.
A determinação ganha novo contexto diante do avanço da relação comercial entre Brasil e China. Pequim é o principal destino das exportações brasileiras e ampliou nos últimos anos sua participação na compra de produtos do agronegócio do país, em especial soja, carne e outros produtos agrícolas.
O movimento ocorre em meio à disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Em 10 de agosto, a China pediu para participar como terceira parte do contencioso aberto pelo governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos EUA a produtos do Brasil.
A determinação parte de uma lei, promulgada em dezembro de 2025 pelos Estados Unidos, que obriga a inteligência norte-americana a avaliar a presença da China no agronegócio brasileiro. O texto prevê uma análise dos investimentos chineses no setor e atribui ao diretor de Inteligência Nacional a missão de avaliar "a extensão dos investimentos da República Popular da China no setor agrícola do Brasil".
Um dos pontos que deverão ser analisados é a relação de Xi Jinping com o governo brasileiro em assuntos relacionados ao agro. O documento manda avaliar "a extensão em que o presidente Xi Jinping se envolveu ou orientou o envolvimento com a liderança brasileira" em questões ligadas ao setor agrícola do país.
A inteligência norte-americana também deverá examinar as "intenções estratégicas" de Xi em relação aos investimentos chineses no agro brasileiro, além do nível de envolvimento do governo da China com o setor.
Outro ponto é o mapeamento das empresas chinesas presentes no mercado brasileiro. A avaliação deve identificar o número de companhias sediadas ou controladas pela China que possuem investimentos no setor, incluindo "joint ventures com empresas de propriedade brasileira".
O escopo definido pelos norte-americanos é amplo. Para efeito da avaliação, a legislação considera como parte do setor agrícola a infraestrutura física, produção de energia, terras e outros insumos associados à produção de commodities agrícolas.
O documento determina ainda que sejam avaliados os possíveis efeitos do investimento ou controle chinês sobre o agro brasileiro. Entre os pontos citados estão os "impactos sobre a cadeia de suprimentos, o mercado global e a segurança alimentar".
As conclusões da inteligência deverão ser encaminhadas a comitês do Congresso dos EUA responsáveis pelas áreas de inteligência, agricultura e relações exteriores. A legislação prevê que o relatório seja apresentado em versão não sigilosa, mas permite a inclusão de um anexo confidencial.