Dino afasta agente da PF suspeito de passar informações sigilosas a organização criminosa
Investigação aponta atuação de "contra-inteligência" dentro da corporação para comprometer diligências no Maranhão
Um agente da Polícia Federal (PF) é investigado sob suspeita de ter atuado de dentro da corporação para repassar informações sigilosas a uma organização criminosa investigada no Maranhão. Segundo a PF, Edvar Rodrigues dos Santos manteve contatos não autorizados com pessoas ligadas ao grupo e teve acesso a detalhes de diligências das quais não fazia parte.
Diante das suspeitas, o ministro Flávio Dino (STF) determinou busca e apreensão contra o policial, seu afastamento cautelar do cargo e a proibição de contato com envolvidos no caso. Na decisão, Dino afirmou que as medidas são necessárias para preservar o sigilo das investigações diante da “atuação de contra-inteligência” atribuída ao agente.
De acordo com a investigação, Edvar manteve contatos reiterados com Gilbson Cézar Soares Cutrim, pai de Gilbson Cutrim Júnior, condenado por um homicídio que integra o conjunto de fatos apurados pela PF. As conversas ocorreram presencialmente, inclusive nas dependências da Superintendência da PF no Maranhão, além de mensagens pelo WhatsApp e ligações telefônicas.
A PF afirma que o agente chegou a se apresentar como integrante da equipe responsável pela investigação, “condição que jamais ostentou”. A perícia no celular de Gilbson Cézar identificou 19 interações com o policial.
Segundo os investigadores, Edvar tinha conhecimento de diligências sigilosas em um procedimento ao qual “não possuía qualquer vínculo funcional autorizado”. Ele também teria orientado Gilbson sobre o sigilo das conversas e demonstrado conhecer aspectos internos da investigação.
Em duas ocasiões, mensagens enviadas pelo policial foram apagadas. Para a PF, a exclusão “evidencia ciência da ilicitude dos contatos e constitui indício autônomo de tentativa de supressão de prova”.
Em depoimento, Gilbson relatou ainda que Edvar teria perguntado se ele confiava no próprio advogado e afirmado: “esse caso não pode vazar”. Ao ser questionado sobre qual assunto tratava, teria respondido: “esse caso da proposta que o pessoal fez”.
A investigação aponta também indícios de que integrantes do grupo ligado à família Brandão tiveram conhecimento das idas de familiares de Gilbson à sede da PF, o que teria comprometido diligências em andamento. A hipótese registrada nos autos é de que o agente tenha atuado como instrumento da organização criminosa para tentar demover Gilbson Júnior de uma postura colaborativa com o STF.
Dino também autorizou o compartilhamento das provas contra Edvar com a Corregedoria-Geral da Polícia Federal e com a Corregedoria Regional da PF no Maranhão para adoção de eventuais medidas disciplinares.