Lula barra dragagem e escoamento de grãos pode sobrecarregar a rodovia BR-163
A medida ocorre em meio ao alerta da ONU de que o Super El Niño pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda até 2027
O presidente Lula decidiu barrar a dragagem emergencial do rio Tapajós, no Pará, medida defendida como necessária para manter o escoamento de grãos pela hidrovia. Com a decisão, até 5,5 milhões de toneladas de soja e milho podem migrar para a BR-163.
A medida ocorre em meio ao alerta da ONU de que o Super El Niño pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda até 2027, elevando o total global para 274 milhões e ampliando a importância de grandes exportadores de alimentos, como o Brasil.
Segundo informações do setor, a dragagem tinha recomendação técnica de ministérios do próprio governo e seria integralmente custeada pela iniciativa privada. A intervenção alcançaria menos de 2% da extensão navegável do Tapajós.
A decisão ocorre após indígenas ocuparem por quase um mês o terminal da Cargill em Santarém, em protesto contra intervenções na hidrovia. O grupo se opõe à dragagem e ameaça realizar novas mobilizações.
Sem a intervenção, a expectativa é de que parte da produção que seria transportada pelo Tapajós seja deslocada para a BR-163. A rodovia é um dos principais corredores de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste em direção aos portos do Norte.
O aumento do fluxo de caminhões pode pressionar o custo do frete e ampliar o movimento na estrada justamente em um período de maior demanda pelo escoamento da safra brasileira.