Alvo de Moraes, ex-secretário de Segurança do Maranhão diz ser "inimigo" de Dino

Por Paulo Cappelli e Lucas Gayoso

Para Dino, um "estado de inconstitucionalidade"

Alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) determinada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim afirmou ser “inimigo pessoal e político” do ministro Flávio Dino. A declaração foi feita nesta quarta-feira (12/8), um dia após o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra ele.

“Causa estranheza, se isso for verdade, um mandado de prisão contra mim assinado por Flávio Dino, reconhecidamente inimigo meu pessoal e político dos tempos em que ele era governador e eu deputado estadual”, afirmou Cutrim, que é delegado aposentado da PF, comandou a Segurança Pública do Maranhão por duas vezes e exerceu três mandatos como deputado estadual.

O ex-secretário também acusou aliados de Dino, chamados por ele de “dinistas”, de atuarem como intermediários de supostas propostas envolvendo decisões judiciais e apoio eleitoral.

“Esses ‘dinistas’ que espalham esta ameaça são os mesmos que se fizeram portadores de recados, propondo troca de sentenças do mesmo ministro por redutos eleitorais”, declarou.

Cutrim já havia sido alvo de medidas determinadas por Dino em 17 de julho. Na ocasião, o ministro decretou busca e apreensão e prisão preventiva contra o ex-secretário. A prisão foi posteriormente convertida em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

Na terça-feira (11/8), uma nova busca e apreensão foi realizada contra Cutrim, desta vez por determinação de Moraes. Como mostrou a coluna, a Polícia Federal identificou o ex-secretário como fonte do jornalista Luís Pablo após recuperar conversas no MacBook do profissional de imprensa, apreendido em março.

As mensagens estavam relacionadas a reportagens sobre o suposto uso irregular de viaturas do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.

Em nota, a defesa de Cutrim também negou que ele tenha feito pagamentos ao jornalista. Segundo os advogados, as movimentações financeiras mencionadas na investigação envolveriam Luís Pablo e o advogado dele, sem participação do ex-secretário.

A defesa afirma ainda que não teve acesso integral aos autos referentes às medidas determinadas por Dino.