Secretário usou credenciais de Estado para desviar dados de inteligência e monitorar Flávio Dino, diz PF

Por Lucas Gayoso - BSB

Para Dino, um "estado de inconstitucionalidade"

A Polícia Federal (PF) afirma que o secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Soares Cutrim, usou sua condição de agente público para acessar informações restritas sobre veículos ligados à segurança do ministro Flávio Dino, do STF.

Segundo a investigação, Cutrim obteve dados protegidos em sistemas que exigem credenciais de acesso e repassou parte do material ao jornalista Luís Pablo Conceição Almeida. As informações incluíam placas reservadas, fotos, vídeos e dados sobre veículos usados por Dino e seus familiares.

A conclusão consta de representação da PF acolhida pelo ministro Alexandre de Moraes, que autorizou novas buscas e apreensões no âmbito da investigação sobre o vazamento de informações relacionadas à segurança de Dino.

"Fica claramente demonstrado que quem obteve as informações e imagens divulgadas por Luís Pablo foi Raimundo Cutrim, sendo possível concluir que para obter acesso às informações sobre o veículo, o mesmo se prevaleceu de sua condição de agente público".

Conversas por WhatsApp

A PF conseguiu chegar ao secretário após analisar um notebook apreendido na casa de Luís Pablo em março deste ano. O equipamento permitiu o acesso à conta de WhatsApp utilizada pelo jornalista e revelou conversas mantidas com Cutrim.

Os investigadores identificaram, por exemplo, que o secretário encaminhou ao jornalista dados de um veículo que apareceriam posteriormente em uma reportagem publicada em 20 de novembro. Entre as informações estavam a placa oficial e uma placa reservada, utilizada em atividades que exigem proteção da identificação do veículo.

A investigação também encontrou fotografias e vídeos dos veículos. Segundo a PF, algumas filmagens foram feitas com câmera veicular em 30 de outubro de 2025 e posteriormente enviadas por Cutrim a Luís Pablo.