O novo capítulo de tensão entre Lula e Trump

Por Paulo Cappelli

Brasil barrou a vinda de dois diplomatas dos EUA antes da posse de novo embaixador

Após o Brasil barrar a vinda de dois diplomatas dos Estados Unidos ao país, um novo capítulo de tensão entre Lula e Donald Trump vai se desenhando: a posse do novo embaixador norte-americano, que representará os interesses de Washington em Brasília.

Há quase dois meses, em 1º de junho, Trump nomeou o deputado republicano Daniel Perez para assumir o comando da Embaixada dos Estados Unidos. Ocorre que, desde então, o Brasil ainda não aprovou o agrément, o aceite oficial dado por um país para receber um embaixador estrangeiro.

O termo, em francês, significa "consentimento" e indica que o diplomata indicado é bem-vindo no país no qual pretende atuar.

Essa demora do Brasil em conceder o agrément é incomum na relação entre as duas diplomacias. A coluna apurou que a falta de resposta tem incomodado integrantes de Washington.

E esse incômodo tende a se intensificar, porque o Congresso dos Estados Unidos deverá votar e aprovar, já nos próximos dias, a indicação de Daniel Perez, antes do recesso do Senado, que terá início em 7 de agosto.

Dessa forma, o único entrave para a Embaixada dos EUA permanecer acéfala no Brasil será a falta de aceite do governo Lula.

Washington quer agilizar o preenchimento do cargo, porque cabe ao embaixador falar diretamente com o secretário de Estado dos Estados Unidos, cadeira hoje ocupada por Marco Rubio, e, muitas vezes, até mesmo com o presidente norte-americano.

A última embaixadora no Brasil, Elizabeth Bagley, costumava chamar o então presidente, Joe Biden, apenas por "Joe", tamanha era a proximidade entre ambos.

O suspense do Brasil em conceder o agrément a Daniel Perez ocorre em meio à desconfiança do Palácio do Planalto, que acredita que o governo Trump pretende interferir nas eleições para prejudicar Lula.

Procurado pela coluna, um integrante da cúpula do Itamaraty informou que o Ministério das Relações Exteriores "não comenta questões sigilosas da Convenção de Viena, agrément entre elas".

Um ponto que causou desconforto na diplomacia brasileira é que a administração Trump não fez qualquer consulta à gestão Lula antes de indicar Perez.

Nos últimos dias, o Brasil barrou a vinda de Samuel Samson e Riley M. Barnes, dois representantes do governo Trump que pretendiam desembarcar no país para participar de reuniões e agendas políticas. Os dois viriam com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições.