Lula quer embate com Trump como plataforma eleitoral
Auxiliares do presidente avaliam que a polarização com Trump tende a reforçar a narrativa de defesa da democracia e da soberania nacional
Lula decidiu jogar lenha na fogueira na crise diplomática com os Estados Unidos e vê no confronto com Donald Trump uma oportunidade de fortalecer sua posição nas eleições de 2026. Segundo apurou a coluna com fontes do Palácio do Planalto, a estratégia do governo é transformar a defesa da soberania nacional em um dos principais eixos da campanha à reeleição.
A avaliação feita por auxiliares presidenciais é que o momento de maior recuperação política do governo ocorreu no ano passado, quando Lula reagiu ao chamado "tarifaço" anunciado pela Casa Branca. Na leitura do núcleo político do petista, a postura de embate diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos teve boa receptividade junto ao eleitorado e contribuiu para melhorar a imagem do presidente em meio às dificuldades enfrentadas pela administração federal.
Agora, integrantes do governo acreditam que o novo episódio envolvendo autoridades norte-americanas pode produzir efeito semelhante. O Brasil impediu a entrada de Samuel Samson, subsecretário de Estado dos EUA, e Riley Barnes, secretário assistente, alegando que não aceitará o que considera tentativas de pressão externa sobre assuntos internos do país.
A desconfiança do Planalto é que a visita de Samson e Barnes pudesse ter motivações políticas e acabasse sendo utilizada para influenciar o ambiente eleitoral brasileiro.
Autoridades norte-americanas, contudo, negaram à coluna que esse fosse o objetivo da viagem. Segundo integrantes do governo dos Estados Unidos ouvidos pela reportagem, a missão não tinha qualquer propósito de interferir no processo eleitoral brasileiro.
Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que a polarização com Trump tende a reforçar a narrativa de defesa da democracia e da soberania nacional, discurso que deverá ocupar espaço central na estratégia eleitoral petista. A expectativa é que novos episódios de atrito entre Brasília e Washington mantenham esse debate em evidência ao longo dos próximos meses.
Flávio Bolsonaro reage
A oposição, porém, vê a movimentação de forma diferente. Em recente entrevista à coluna, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a postura do governo brasileiro como a de um "anão diplomático".
Para o parlamentar, a posição do Planalto amplia o desgaste internacional do Brasil e agrava a crise com os Estados Unidos, que poderia ser conduzida por meio do diálogo diplomático.