Pesquisa Indexa mostra eleitor dividido sobre responsabilidade de Lula e Flávio por tarifaço dos EUA

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (21), indica que não há consenso entre os eleitores sobre a origem da crise

Por Paulo Cappelli e Lucas Gayoso

Em eventual segundo turno, Flávio aparece à frente: 46% a 43%

A crise comercial entre Brasil e Estados Unidos divide a opinião dos brasileiros sobre quem é o principal responsável pelo agravamento das tensões entre os dois países. O levantamento nacional da Indexa Pesquisas mostra que 30% dos entrevistados atribuem a responsabilidade ao senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto 28% apontam o presidente Lula (PT).

O estudo foi divulgado nesta terça-feira (21/7). Outros 17% responsabilizam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, 12% afirmam que os três compartilham igualmente a responsabilidade e 13% disseram não saber ou preferiram não responder.

A pesquisa também avaliou como os brasileiros enxergam a atuação de Lula diante do impasse comercial. Para 36% dos entrevistados, o presidente tem agido corretamente na defesa dos interesses do Brasil. Já 31% consideram que sua postura é inadequada, enquanto 10% afirmam que ela não foi nem correta nem incorreta. Outros 23% não souberam opinar.

Outro ponto do levantamento trata da participação de Flávio Bolsonaro em uma audiência pública realizada nos Estados Unidos sobre a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que pode resultar na imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo a pesquisa, 32% dos entrevistados acreditam que o principal objetivo do senador foi enfraquecer politicamente o governo Lula. Outros 15% entendem que a iniciativa buscou fortalecer uma eventual candidatura presidencial de Flávio em 2026.

Já 13% afirmam que o senador participou da audiência para defender os interesses do Brasil. Outros 9% apontaram diferentes motivações, enquanto 31% disseram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento também perguntou quem tende a se beneficiar politicamente do episódio. Para 33% dos entrevistados, a crise não favorece nem Lula nem Flávio Bolsonaro. Entre os que identificam algum beneficiado, 25% acreditam que o presidente leva vantagem política, enquanto 18% apontam o senador. Outros 24% não responderam.

Para o CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, os dados mostram que a política externa passou a ser interpretada pelos brasileiros sob a lógica da polarização política interna.
"A pesquisa revela que um tema tradicionalmente associado às relações internacionais passou a ser interpretado pelos eleitores a partir da polarização política nacional. Não há um responsável amplamente reconhecido pela crise comercial, e isso demonstra que os brasileiros avaliam acontecimentos externos também pelo filtro das disputas internas entre governo e oposição", afirmou.

Metodologia

A pesquisa da Indexa Pesquisas foi realizada entre os dias 16 e 19 de julho de 2026, com 2.000 entrevistas em todas as regiões do país. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02904/2026.