Senado: Michelle Bolsonaro perde parte dos apoiadores para Sebastião Coelho após atrito com Flávio
Ala da militância bolsonarista no DF ensaia dobradinha entre Bia Kicis e o desembargador aposentado Sebastião Coelho, do Novo, para o Senado
As farpas disparadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em direção ao senador Flávio Bolsonaro, ambos do PL, impactam agora o próprio segmento conservador nas eleições deste ano.
Diante do mal-estar que se instalou no seio da família Bolsonaro, uma ala da militância bolsonarista ensaia apoiar uma dobradinha inusitada na disputa ao Senado pelo Distrito Federal: o voto em Bia Kicis (PL) e no desembargador aposentado Sebastião Coelho, que é filiado ao partido Novo. Por essa composição, Michelle ficaria de fora.
O movimento ganhou força na internet após o desabafo público de Michelle sobre divergências com Flávio em relação às articulações partidárias. O vídeo divulgado pela ex-primeira-dama caiu como uma bomba na campanha do enteado.
Em diferentes plataformas na internet, militantes de direita têm sustentado que Michelle não deveria ter levado para o noticiário os embates internos com Flávio, pois tal iniciativa beneficiaria o presidente Lula, que busca a reeleição e tem justamente o filho Zero-Um de Bolsonaro como o principal adversário.
Esse bloco do segmento conservador defende o voto em Sebastião Coelho sobretudo por conta da posição crítica adotada pelo ex-magistrado em relação a ministros do STF como Alexandre de Moraes. Sebastião Coelho tem como uma das bandeiras de campanha atuar, no Senado Federal, para botar freio em magistrados da Suprema Corte.
Essa ala simpática ao ex-desembargador também não digere o fato de Michelle ter chamado Alexandre de Moraes de "irmão em Cristo" dias antes de disparar contra Flávio.
Antes de se lançar ao Senado, Sebastião Coelho chegou a comunicar a decisão pessoalmente a Jair Bolsonaro e, mesmo filiado a outro partido político, recebeu das mãos do ex-presidente a medalha 3i ("imbrochável, imorrível e incomível").
A cúpula do partido Novo acredita ainda que o PL poderá abrir mão de uma das duas candidaturas ao Senado no DF (retirando Michelle Bolsonaro ou Bia Kicis) para fazer uma aliança com Sebastião Coelho, que envolveria também outras alianças nacionais.
Procurado pela coluna, Sebastião Coelho afirmou: "A minha candidatura ao Senado é irreversível, não importando quais outras candidaturas estejam colocadas".