Flávio pede nova data para depor à PF em inquérito que envolve Lula

Defesa afirma que prazo oferecido para agendamento foi insuficiente e cita agenda de pré-campanha presidencial

Por Lucas Gayoso - BSB

Flávio acusou Moraes de "interferir nas eleições" com proibição de visitas a Jair Bolsonaro

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu à Polícia Federal (PF) a remarcação de seu depoimento no inquérito que investiga uma suposta calúnia contra o presidente Lula (PT). Na petição apresentada nesta quarta-feira (15/7), os advogados afirmam que não foi possível agendar a oitiva na data inicialmente proposta pela PF e solicitam que novas datas sejam disponibilizadas com antecedência razoável.

Segundo a defesa, um agente da PF entrou em contato para marcar o depoimento, mas o prazo oferecido teria sido insuficiente para compatibilizar a agenda do senador. Os advogados sustentam que a impossibilidade de comparecimento não decorreu de falta de interesse em colaborar com a investigação, mas da agenda de Flávio Bolsonaro. Na petição, afirmam que o parlamentar está em "pré-campanha à Presidência da República", com viagens, deslocamentos e compromissos previamente assumidos.

A defesa também argumenta que a remarcação da oitiva não causará prejuízo à apuração dos fatos nem comprometerá a duração razoável do processo. Para reforçar esse entendimento, cita outros inquéritos originários que tramitaram no STF por períodos significativamente maiores antes de serem concluídos ou arquivados.

"A incompatibilidade de agendas é oriunda, de um lado, do curto intervalo fixado para a realização da diligência e, de outro lado, das atividades desempenhadas pelo Peticionário em sua pré-campanha à Presidência da República, que incluem inúmeras viagens, deslocamentos e compromissos fixados com grande antecedência, envolvendo diversas pessoas", diz a defesa.

O inquérito apura uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em janeiro deste ano, na qual o senador associou o presidente Lula ao presidente da Venezuela, o ditador Nicolás Maduro, e escreveu que o petista seria delatado por supostos crimes relacionados ao Foro de São Paulo, incluindo tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e fraude eleitoral.

Na última decisão do caso, o ministro Alexandre de Moraes negou pedidos de diligências formulados pela defesa, afirmando que não cabe ao investigado direcionar ou interferir na condução da investigação.