TCU aponta piora nas contas das estatais e déficit de R$ 6,5 bilhões puxado pelos Correios
Relatório do TCU mostra que déficit das empresas federais quase dobrou em relação à projeção inicial; ECT respondeu pela maior parte da deterioração
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma piora nas contas das empresas estatais federais no segundo bimestre de 2026. Segundo relatório técnico da Corte, o déficit acumulado das estatais até abril alcançou cerca de R$ 6,5 bilhões, quase o dobro da projeção de R$ 3,4 bilhões constante do planejamento fiscal divulgado pelo governo no início do ano.
De acordo com os auditores, a deterioração de aproximadamente R$ 3 bilhões foi provocada principalmente pelo desempenho da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Sozinha, a estatal registrou resultado negativo de cerca de R$ 2,8 bilhões, enquanto o restante da piora decorreu de variações distribuídas entre as demais empresas federais.
"A deterioração de aproximadamente R$ 3 bilhões foi causada, em grande parte, pelo resultado negativo da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), de cerca de R$ 2,8 bilhões, com saldo remanescente associado a variações residuais distribuídas entre as demais empresas", aponta o Tribunal.
Apesar do agravamento, o TCU afirma que, nesta etapa do exercício, o resultado das estatais ainda é compatível com a meta fiscal estabelecida para o ano de 2026. O relatório informa que o Banco Central (BC), em cálculo baseado na evolução da dívida pública e não apenas na arrecadação e nas despesas, apurou déficit de aproximadamente R$ 5,9 bilhões, número que permanece dentro do limite de R$ 6,8 bilhões previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Na conclusão do documento, os auditores classificam a piora das estatais como um dos principais pontos de atenção do acompanhamento das contas públicas. O relatório destaca que o resultado das empresas "deteriorou-se em relação à projeção" e ressalta que a evolução dessas contas continuará sendo monitorada ao longo do exercício.
O documento também registra uma divergência superior a R$ 900 milhões entre os resultados apurados pelo BC e pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest). Segundo o TCU, a diferença decorreu de um erro relacionado aos ativos financeiros dos Correios considerado nas estatísticas do Banco Central.
A Corte afirma que a ausência de comunicação imediata sobre a inconsistência prejudicou a transparência das informações fiscais, embora o BC tenha informado que passará a divulgar formalmente eventuais erros identificados em suas estatísticas.