Caiado pede condenação de Boulos no STF por acusações de ligação com crime organizado

Caiado pede condenação por calúnia, difamação e injúria e afirma que ministro o associou falsamente ao crime organizado

Por Lucas Gayoso - BSB

Ronaldo Caiado aciona STF contra Guilherme Boulos

O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto, Ronaldo Caiado (PSD), apresentou uma queixa-crime ao STF contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), por declarações feitas em um vídeo publicado nas redes sociais. A ação atribui a Boulos a prática dos crimes de calúnia, difamação e injúria, sob o argumento de que ele associou falsamente Caiado ao crime organizado.

Segundo a queixa, Boulos publicou, em 12 de maio, um vídeo no Instagram, TikTok, Facebook e X afirmando que Caiado estaria "envolvido hoje num escândalo relacionado ao crime organizado" em Goiás. No conteúdo, o ministro cita um contrato de R$ 141 milhões entre o governo goiano e a Fundação Pró-Cerrado e questiona: "Esses R$ 140 milhões do seu governo? (...) por que foi para uma fundação que lavou dinheiro para o crime, hein, Caiado?".

A defesa do ex-governador afirma que a investigação que levou à prisão do empresário Adair Meira, presidente da fundação, trata exclusivamente de supostas operações privadas de lavagem de dinheiro e não aponta qualquer irregularidade nos contratos firmados com o Estado de Goiás nem envolve o então governador. Para os advogados, Boulos "construiu, perante milhões de usuários das redes sociais, a narrativa falsa de que o querelante estaria envolvido no esquema criminoso".

Os advogados argumentam que a publicação extrapolou os limites da crítica política e imputou a Caiado a prática dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro sem qualquer respaldo nas investigações. Também alegam que Boulos não pode invocar imunidade parlamentar, pois estava licenciado do mandato de deputado federal e exercia o cargo de ministro de Estado quando divulgou o vídeo.

A defesa também afirma que, além da calúnia, houve difamação ao insinuar que o governo de Goiás manteve contratos com uma entidade ligada ao crime organizado e injúria pelas expressões utilizadas contra Caiado, como a referência à "hipocrisia" e a afirmação de que o ex-governador precisaria ser "desmascarado".

Além da condenação pelos três crimes contra a honra, Caiado pede que o STF determine às plataformas a preservação dos dados das publicações, como alcance, visualizações e compartilhamentos, para instrução do processo. Também solicita a fixação de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais, com destinação do valor a uma entidade filantrópica.