"Trump está sendo instruído de forma distorcida em relação ao Pix", diz Flávio
Em entrevista exclusiva, Flávio Bolsonaro diz que defenderá Pix junto a autoridades nos EUA
Paulo Cappelli: O senhor, como advogado, tem a prerrogativa de visitar o seu pai com frequência. Como está Jair Bolsonaro em termos de saúde?
Flávio Bolsonaro: Eu estive com ele, inclusive hoje pela manhã. Está bem de saúde. Óbvio que não está 100%. Desde que ele tomou essa facada de ex-integrante do PSOL, a saúde dele nunca mais foi a mesma. Mas é uma pessoa muito forte, que está ali antenada em tudo que está acontecendo no dia a dia. Volta e meia vê aquele soluço, que é uma coisa torturante, e volta ainda, mas com muito menos frequência. Então estou aí, pelo menos, vendo nele uma leve melhora.
Paulo Cappelli: E como foi a conversa hoje?
Flávio Bolsonaro: É uma pessoa com quem converso. À medida que o momento decisivo vai chegando, eu sempre busco as orientações dele. Está prevista a nossa convenção para o dia 25 de julho, em São Paulo, e, obviamente, ainda há um prazo pela frente. Temos que conversar sobre a questão do vice, sobre quem vai nos orientar de forma mais direta e com mais profundidade em alguns setores.
Eduardo Bolsonaro deu declarações defendendo que o senhor tenha como vice um integrante, um representante da direita, e não de centro, como parte da classe política defende. Ele até sugeriu o nome de Júlia Zanatta (PL), deputada federal.
Nós temos excelentes quadros dentro do PL. A Júlia é um excelente quadro. E aí uns nomes que estão circulando por aí. A Bia Kicis (deputada) também começou a circular como uma possível vice de dentro do PL. Aí tem a Tereza Cristina (senadora, PP), que está sendo ventilada também, a Clarissa Tércio (PP), a Priscila Costa (vereadora, PL), a Dani Cunha (deputada, PL) agora, que é uma pessoa que veio, essa sim veio para o nosso time, mas sem compromisso nenhum de qual camisa ela vai vestir. Veio porque é uma pessoa que entende também que a gente está num momento em que essa é uma missão que nós temos que enfrentar: fazer com que o Brasil volte a ter esperança, organizar a nossa economia e levar prosperidade de volta.
Paulo Cappelli: Mas tem algum nome que se destaque, que desponte com algum favoritismo para ocupar a vice?
Flávio Bolsonaro: O que eu tenho dito é que eu tenho preferência por uma mulher. E não pelo fato de ser mulher, porque todas essas que eu falei têm qualidades muito diferenciadas, muito acima da média. Então nós temos bons quadros de mulheres que têm uma competência surreal, que entendem da dinâmica em várias áreas, pessoas que, de uma forma ou outra, já têm uma experiência com política. Então cada uma tem as suas virtudes. E o que eu estou pensando de verdade é que seja uma mulher.
Paulo Cappelli: Qual mensagem exata vai passar para o governo Trump nessa sustentação presencial que vai fazer nos Estados Unidos contra as tarifas?
Flávio Bolsonaro: Eu já estive lá uma vez defendendo que as empresas brasileiras não fossem tarifadas. Foi quando eu também pedi que Comando Vermelho e PCC fossem declarados organizações terroristas pelo governo americano, porque essa é uma forma de promover uma cooperação internacional para asfixiar essas organizações narcoterroristas.
Paulo Cappelli: Poucos dias depois da sua reunião, houve a classificação de PCC e CV como terroristas por Washington. Se eleito presidente, como pretende atuar em parceria com os Estados Unidos para combater o CV e o PCC?
Flávio Bolsonaro: O Brasil já fez isso diversas oportunidades. Quando se une a outros países, com troca de informações, com troca de inteligência, com troca de tecnologia, eu acho que isso é que vai rastrear o dinheiro de uma forma mais eficiente.
Além de ter pedido isso nos Estados Unidos, eu pedi expressamente: "Olha, se for possível, não taxe, não tarife as empresas brasileiras". Elas já são as mais taxadas do mundo pelo atual governo. Imagina mais de 25% sobre os produtos brasileiros que forem exportados para os Estados Unidos. Todo mundo que estiver nessa lista vai ter dificuldade. Empresas brasileiras podem quebrar.
Paulo Cappelli: Vai defender o Pix nos Estados Unidos?
Flávio Bolsonaro: Hoje o Pix virou um patrimônio nosso, um orgulho brasileiro. Vou defender. Não tem perigo de o Pix ser atacado aqui no Brasil.
Tem que combinar com o Trump.
Mas ele não pode fazer nada contra o Pix. O Pix é um meio de pagamento. Eu acho que ele está sendo instruído de uma forma distorcida com relação a isso. Nós temos esse meio de pagamento, que não é uma empresa. Não se pode sancionar o Pix.
Inclusive, eu vou explicar isso lá. Uma das teses de defesa é falar que o Pix, hoje, é fundamental, é especial. Isso revolucionou a vida dos mais pobres. O dinheiro circulou em muito menor quantidade. Isso foi bom para o comércio. Isso reduziu, inclusive, os assaltos a bancos. Você lembra? Tinha saída de banco direto. As pessoas sacavam o dinheiro na boca do caixa e, quando estavam saindo do banco, eram assaltadas. Com o Pix, isso não acontece mais porque há movimentação eletrônica, mais uma vez, sem taxa, de forma segura. Então a gente vai defender dessa forma o Pix no Brasil.
Paulo Cappelli: Tem algum outro argumento que o senhor vá apresentar ao governo Trump?
O tempo é muito curto, mas, primeiro, eu vou defender o nosso Pix para que ele compreenda que é um meio de pagamento e que, principalmente, houve uma inclusão e um uso massivo pelas pessoas mais pobres no Brasil. Nós conseguimos bancarizar mais de 70 milhões de brasileiros que antigamente pagavam DOC, pagavam TED no banco, uma taxa por causa da transferência bancária.
Então o Pix hoje é a base fundamental da nossa economia, do comércio, de todos. Tem que ficar bem claro que isso não está na mesa. Não tem nada que se possa fazer contra o Pix no Brasil, que foi feito no governo do presidente Bolsonaro.
Explicar essa parte que, na verdade, quando ele pretende sancionar um país por causa das provocações e da degradação da relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos, que aconteceu muito em função de ser o presidente Lula, quando ele faz isso, na verdade, o que ele vai estar fazendo é a vontade do Lula.
O único que quer a tarifação das empresas brasileiras é o Lula, porque ele acha que isso pode usar eleitoralmente a favor dele. Pode levantar, de forma mentirosa, como fez outras vezes, a bandeira de que é ele quem defende a soberania nacional. Ao contrário, nós é que defendemos a nossa soberania nacional, não ele.
Então essas explicações e dizer também, de uma forma bastante objetiva, que, a partir de janeiro do ano que vem, o Brasil terá um presidente da República que vai sentar de forma responsável, de igual para igual, para negociar com ele os melhores acordos possíveis para os brasileiros e também para os americanos.
Paulo Cappelli: Na semana passada, o Trump disse numa entrevista que Lula é uma pessoa volátil e que não poderia se importar menos com ele. Como o senhor avalia essa declaração?
Flávio Bolsonaro: Esse é o tamanho do Brasil hoje. O tamanho de um anão internacional. Você já recebeu elogio de alguém como "volátil"? "Olha, você é um cara volátil". Isso não é um elogio. Ou seja, é um cara que é dúbio, um cara que mente, um cara que não cumpre acordos.
Eu nao sei o que eles conversam ali pessoalmente, o Lula e o Trump. Eu não sei qual o teor da conversa. Mas, para ele chamar de volátil, é porque certamente o Lula é duas caras, e ele sempre foi assim. O Lula mentiu para chegar ao poder, o Lula mentiu para permanecer no poder e o Lula deve estar mentindo também para o Trump, se comprometendo com algumas coisas e não cumprindo.
Eu imagino, por exemplo, que o Lula tenha se comprometido a pegar pesado contra o crime organizado. E o que ele fez? Nada. Nada.
E esse é um problema que nós brasileiros temos que resolver. E é por isso que eu tenho dito publicamente que, a partir do ano que vem, essas organizações narcoterroristas vão ser tratadas como terroristas: Comando Vermelho, PCC e milícias.
Paulo Cappelli: O que muda na prática com esta classificação?
Flávio Bolsonaro: O que muda na prática é que, como já começamos a fazer com a Lei Antifaççao, esses chefes dessas organizações narcoterroristas já podem pegar pena que chegue e ultrapasse 80 anos de prisão e cumprir na íntegra.
Eu tenho falado, está nas nossas 12 medidas emergenciais, no pacote que eu chamei de Brasil Sem Medo. Construção de mais de meio milhão de vagas no sistema penitenciário.
A legislação hoje já permite que líderes dessas facções criminosas recebam penas que cheguem a esse patamar, porque 70% dos crimes cometidos no Brasil são praticados pelas mesmas pessoas.
Ou seja, nós mudamos, com a Lei Antifações, essa porta giratória que hoje é a audiência de custódia. Desde esses criminosos perigosíssimos até quem rouba celular tem que ficar preso também. Então, esse tratamento que hoje o governo dá de passar a mão na cabeça de bandido tem que mudar. A política de desencarceramento vai acabar a partir do ano que vem.
Paulo Cappelli: Tem algum outro argumento que o senhor vai dizer, além de que as empresas brasileiras já são muito taxadas?
Flávio Bolsonaro: O tempo é muito curto, mas, primeiro, eu vou defender o nosso Pix para que ele compreenda que é um meio de pagamento e que, principalmente, houve uma inclusão e um uso massivo pelas pessoas mais pobres no Brasil. Nós conseguimos bancarizar mais de 70 milhões de brasileiros que antigamente pagavam DOC, pagavam TED no banco, uma taxa por causa da transferência bancária.
Então o Pix hoje é a base fundamental da nossa economia, do comércio, de todos. Tem que ficar bem claro que isso não está na mesa. Não tem nada que se possa fazer contra o Pix no Brasil, que foi feito no governo do presidente Bolsonaro.
Explicar essa parte que, na verdade, quando ele pretende sancionar um país por causa das provocações e da degradação da relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos, que aconteceu muito em função de ser o presidente Lula, quando ele faz isso, na verdade, o que ele vai estar fazendo é a vontade do Lula.
O único que quer a tarifação das empresas brasileiras é o Lula, porque ele acha que isso pode usar eleitoralmente a favor dele. Pode levantar, de forma mentirosa, como fez outras vezes, a bandeira de que é ele quem defende a soberania nacional. Ao contrário, nós é que defendemos a nossa soberania nacional, não ele.
Então essas explicações e dizer também, de uma forma bastante objetiva, que, a partir de janeiro do ano que vem, o Brasil terá um presidente da República que vai sentar de forma responsável, de igual para igual, para negociar com ele os melhores acordos possíveis para os brasileiros e também para os americanos.
Paulo Cappelli: O senhor defende a retomada da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes por Donald Trump?
Flávio Bolsonaro: Essa pauta que não está no nosso controle. Eu acho que o Eduardo, obviamente, deu informações ao governo americano sobre o que estava acontecendo aqui no Brasil. A Magnitsky foi implementada contra o Alexandre de Moraes por violações de direitos humanos, pelo que ele fazia nos processos dele, inclusive de forma fora da lei americana, perseguindo cidadãos americanos, perseguindo empresas americanas. Todo mundo vai lembrar que ele chegou a bloquear as contas da Starlink aqui no Brasil para tentar atingir o Elon Musk. Uma coisa completamente absurda.
Paulo Cappelli: O que você achou sobre a condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo?
Flávio Bolsonaro: Completamente ilegal. Esse processo dele é completamente nulo, sob quaisquer aspectos que você olhe. Primeiro, o Eduardo obviamente não foi o responsável por isso, não foi o autor da Magnitsky. E, se o Alexandre de Moraes foi o atingido, quer dizer, se ele foi a suposta vítima, como é que ele pode condenar o Eduardo e participar do julgamento em que condena a pessoa que ele está acusando de ter provocado a sanção contra ele? Está tudo errado. O Eduardo não foi intimado nesse processo, não foi formalmente, não tomou ciência do que tinha no processo.
A condenação de Eduardo, que permanece como candidato a suplente ao Senado na chapa de André do Prado (PL), não abre um temor de que ele possa não ser empossado caso a chapa seja eleita?
Essa conta quem tem que fazer é o André do Prado junto com o Eduardo, se isso pode atrapalhar a chapa dele, caso eleita, diante de um possível questionamento na Justiça Eleitoral lá na frente. Mas eu acho que o Eduardo tem que manter a sua posição, porque, na verdade, era para ele ser o candidato ao Senado em São Paulo. Ele está fora do Brasil contra a sua vontade, porque está lá defendendo a nossa liberdade, buscando mudar as coisas no Brasil.
Paulo Cappelli: O senhor entende que Jaques Wagner precisa prestar esclarecimentos sobre a origem do caso Master?
Flávio Bolsonaro: O Lula não tem moral para tomar satisfação nenhuma com o Jaques Wagner, que também, do meu ponto de vista, tem muito a explicar. Todos nós sabemos que essa questão originária, que resultou nesse escândalo do Master, teve início onde? Na Bahia, com a participação do Jaques Wagner, enquanto era secretário de Estado no governo de Rui Costa (PT), que também praticou atos de ofício como governador para facilitar a alavancagem e a capitalização do Crédito Sexta, programa que existia para vender alimentos mais baratos aos servidores públicos.
Toda a manobra que foi sendo feita, com alterações na legislação por meio de canetadas de Rui Costa e com a aquiescência de Jaques Wagner, isso tudo tem que ser explicado, sim. Então, eu acho que, se o Lula tiver que tomar alguma providência, ele não tem moral nenhuma para cobrar providência de ninguém, porque ele também é uma parte envolvida no Banco Master
Paulo Cappelli: O senhor admitiu que teve uma reunião presencial com Daniel Vorcaro em São Paulo para tratar do filme Dark Horse. Recentemente, O Globo publicou que o senhor teria tido um outro encontro com ele no primeiro semestre do ano passado. Houve esse segundo encontro? O que foi tratado?
Flávio Bolsonaro: Eu sempre disse o seguinte: nada mudou. Isso aí é mais do mesmo. É uma "forçação" de barra para tentar trazer esse assunto de volta à tona. Eu sempre falei o seguinte: a minha relação com ele sempre foi por causa do filme. Mais uma vez, é um investimento privado, em um filme privado, sem nenhuma contrapartida pública.
Paulo Cappelli: Então, nessa outra ocasião também foi para tratar do filme?
Flávio Bolsonaro: Sempre. Qualquer coisa que apareça de diálogo, de celulares dos outros, que a imprensa traga à tona, vão ver que é só por causa do filme. Não tem nada de novo nisso. As vezes que eu falei com ele foram para tratar do filme. E, mais uma vez, em dezembro de 2024, que foi quando eu o conheci, o presidente não era mais Bolsonaro. Eu não tinha nada a oferecer de governo para ele. Não tem absolutamente nada de errado, diferente do que aconteceu durante o governo Lula.
Paulo Cappelli: Gilmar Mendes criticou André Mendonça dizendo que, como relator do Caso Master, Mendonça não poderia ter tido tratativas com advogados e interlocutores de Vorcaro para tratar de eventual delação. Como avalia a posição do ministro Gilmar?
Flávio Bolsonaro: Eu queria ver essa crítica no caso do presidente Bolsonaro, onde o próprio Alexandre de Moraes interrogou o Mauro Cid na negociação da delação dele. Depois foi a nona, a décima quinta, a centésima nona mudança de delação do que o Cid falava no processo. Aí o Alexandre de Moraes fez algo similar e não houve crítica de ninguém. Então, essa falta de isonomia, essa falta de paridade de armas, é algo que a população enxerga. Além disso, a cada dia que passa, mais pessoas conseguem enxergar o que eu considero ter sido a grande farsa da condenação do presidente Bolsonaro e a perseguição que ele sofreu ainda durante o exercício do mandato.
Gosto sempre de lembrar que essas interferências começaram logo no início do governo Bolsonaro. Em 29 de abril de 2020, com apenas um ano e quatro meses de governo, houve a decisão do ministro Alexandre de Moraes que impediu o delegado federal Alexandre Ramagem de assumir a Diretoria-Geral da Polícia Federal, instituição à qual ele pertence, sob a alegação de que teria proximidade com a família Bolsonaro.
E hoje o que vemos é um diretor-geral da Polícia Federal que, na minha opinião, interfere nas investigações
Paulo Cappelli: Em que ponto, você poderia dar exemplos dessas interferências?
Flávio Bolsonaro: Troca-se o delegado da PF que está investigando o Lulinha. O delegado que quebrou o sigilo do filho do presidente da República, um belo dia, resolve sair do caso. É uma pressão danada. Eu já ouvi falar também que, nesse caso da busca e apreensão contra o Jaques Wagner, ele também teria feito alguma coisa, que eu não posso falar aqui porque não vou ser leviano, mas teria feito alguma coisa para interferir, para dar alguns recados ali para dentro da Polícia Federal, porque não estaria concordando com aquilo. Acho que as investigações podem mostrar o que acontece.
Mas, claramente, nós temos um problema. O que eu ouço de delegados da Polícia Federal é que não existe mais uma distribuição livre dos inquéritos conforme a competência de cada delegado. Tudo precisa passar pela chefia da Polícia Federal, para que haja controle sobre tudo. Escolhe-se qual delegado assume determinado caso e qual delegado permanece ou sai da investigação. Isso é um absurdo. Se fosse no governo do presidente Bolsonaro, ele já teria sofrido 50 pedidos de impeachment.
Paulo Cappelli: No âmbito da PGR, o que o senhor critica nas atitudes do procurador-geral da República Paulo Gonet?
Flávio Bolsonaro: Simplesmente muitas coisas que chegam ali e que deveriam ser objeto de investigação não acontecem. Claramente é uma pessoa que parece estar ali sem a independência necessária, sem exercer uma característica primordial de um procurador-geral da República, que é ter autonomia e não olhar a capa do processo. Infelizmente, parece que algumas vezes isso acontece.
Paulo Cappelli: Eduardo Bolsonaro reclamou de uma suposta omissão de Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira em sua campanha. Como o senhor vê essa crítica?
Flávio Bolsonaro: Acho que cada um faz no momento que quiser. A Michelle está passando por um momento difícil. A família toda está passando. Você viu que ela começa a voltar a frequentar agendas públicas, então é o tempo dela (quando a entrevista foi gravada, Michelle ainda não havia postado um vídeo no qual disse se sentir humilhada por Flávio). O Nikolas, da mesma forma, é um garoto que, do meu ponto de vista, tem um potencial gigantesco para crescer cada vez mais. É uma liderança não só em Minas Gerais, mas em todo o Brasil.
Paulo Cappelli: O senhor se compromete a não escolher amigos para o STF caso seja eleito presidente da República?
Flávio Bolsonaro: O critério tem que ser respeito à Constituição, respeito ao Congresso Nacional e capacitação técnica. Isso é um pré-requisito.
Paulo Cappelli: Jorge Messias tem esses requisitos? Lula pretende indicá-lo novamente ao STF.
Flávio Bolsonaro: Eu acho que não. Inclusive, votei contra a indicação dele. Para mim, mais uma vez, seria uma pessoa mais preocupada em atender o Lula do que em respeitar a Constituição.
Paulo Cappelli: Nesta quinta-feira, termina o prazo da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro. Se o senhor encontrasse com o ministro Moraes, o que falaria a ele?
Flávio Bolsonaro: Cumprir a lei e manter o presidente Bolsonaro na prisão domiciliar humanitária, que é onde ele tem que estar por razões de saúde. Ele não pode voltar para um local onde, mais uma vez, continua tomando remédios que causam efeitos colaterais, como tontura, e que podem provocar um desequilíbrio, fazendo com que ele sofra um acidente sozinho dentro de uma cela, como era a situação antes de ser colocado em prisão domiciliar humanitária. Pelo menos em casa, ele está sendo bem assistido e amparado.