Defesa do Pai de Vorcaro diz que pagamentos investigados bancavam projeto do governo
Advogados afirmam ao STF que repasses atribuídos pela PF à suposta obstrução de investigações estavam ligados a empreendimento voltado ao Minha casa, Minha Vida
A defesa de Henrique Vorcaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que os pagamentos apontados pela Polícia Federal (PF) como suspeitos estavam vinculados ao desenvolvimento de um empreendimento imobiliário destinado ao programa Minha Casa, Minha Vida, do governo Lula (PT). A informação consta em petição apresentada ao ministro André Mendonça na qual os advogados pedem a substituição da prisão preventiva do empresário.
Segundo a defesa, os repasses investigados faziam parte do chamado Projeto Campo Grande, um empreendimento localizado na zona oeste do Rio de Janeiro que prevê a construção de um conjunto de edifícios de perfil popular. Os advogados sustentam que a PF interpretou de forma equivocada contratos e pagamentos relacionados ao projeto ao associá-los a uma suposta tentativa de obstrução das investigações.
Na petição, os advogados descrevem o empreendimento como um projeto que será desenvolvido em um terreno de aproximadamente 120 hectares, no bairro de Campo Grande. Segundo a defesa, o negócio é conduzido por empresas ligadas ao Grupo Multipar e à Holding AF, tendo como objetivo a construção de unidades habitacionais voltadas ao programa federal Minha Casa, Minha Vida.
"Dentre esses outros investimentos, envolvendo outras partes livres de quaisquer suspeitas, destacam-se (i) consultoria para elaboração de projeto urbanístico de implantação de condomínios e grupamentos habitacionais de unidades autônomas em blocos de 04 pavimentos, visando o programa federal Minha Casa Minha Vida", diz trecho da petição.
Ainda de acordo com os advogados, Felipe Mourão, conhecido como "Sicário", participou da intermediação da aquisição da área por meio de sua empresa e, em razão dessa atuação, teria direito contratual a uma participação de 20% no resultado líquido do empreendimento. A defesa afirma que parte desses valores vinha sendo antecipada ao longo dos últimos anos por meio de pagamentos registrados e documentados.
A petição também sustenta que Manoel Mendes Rodrigues, outro investigado na Operação Compliance Zero, prestou serviços relacionados ao projeto imobiliário, incluindo a intermediação da compra de um terreno vizinho e a mediação de conflitos com ocupantes da área. Segundo a defesa, essas atividades foram formalizadas em contratos de assessoria firmados em 2023 e deram origem aos pagamentos posteriormente questionados pela PF.
A defesa afirma ainda que os pagamentos mensais de R$ 13 mil mencionados na investigação correspondiam apenas ao contrato de vigilância do terreno, sustentando que havia diversos outros contratos ligados ao empreendimento imobiliário. Os advogados argumentam que o conjunto da documentação demonstra que os recursos tinham origem em relações comerciais legítimas e não em pagamentos destinados a silenciar testemunhas ou manter a atuação de integrantes da organização investigada.
Na petição, Henrique Vorcaro pede a revogação ou substituição da prisão preventiva e sustenta que toda a documentação relativa ao Projeto Campo Grande já havia sido apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) antes da divulgação do novo relatório da PF.