Sanções de Trump contra Cuba podem atingir economia brasileira
Medidas dos EUA ampliam risco para exportações brasileiras e podem dificultar operações financeiras com Cuba
Uma nova ordem executiva dos Estados Unidos que amplia as sanções contra Cuba permite punir empresas e bancos estrangeiros, inclusive brasileiros, que mantenham negócios com o país. As medidas, assinadas pelo presidente Donald Trump, já estão em vigor e alcançam operações realizadas fora do território americano e sem ligação direta com os EUA.
Na prática, empresas brasileiras podem enfrentar dificuldades para exportar ou investir em Cuba, especialmente em operações que dependam do sistema financeiro internacional, de bancos com atuação nos Estados Unidos ou do uso do dólar. Instituições financeiras também tendem a restringir esse tipo de transação para reduzir riscos relacionados às novas sanções.
O principal fluxo comercial entre Brasil e Cuba envolve exportações de alimentos. Entre os produtos mais enviados estão carne de frango, soja, milho e outros itens ligados ao agronegócio brasileiro. Esse comércio será diretamente afetado caso bancos internacionais e intermediários financeiros passem a limitar operações relacionadas à ilha.
A medida foi formalizada por Trump e ampliou o alcance das chamadas "sanções secundárias". O mecanismo permite aos Estados Unidos impor restrições a empresas estrangeiras que mantenham determinadas relações comerciais com países alvo de sanções.
Em texto divulgado pela Casa Branca, o governo americano justificou a decisão afirmando que Cuba representa uma ameaça à política externa e à segurança nacional dos Estados Unidos. O comunicado também associa as medidas à repressão política exercida pelo governo cubano.
"O presidente Trump está comprometido em promover uma Cuba livre e democrática, enfrentando o sofrimento prolongado do povo cubano sob um regime comunista. O povo cubano sofre há muito tempo sob um regime comunista que reprime suas legítimas aspirações por liberdade e prosperidade, prende dissidentes de forma arbitrária e mantém presos políticos em condições desumanas", diz o documento.
A ordem executiva também determina restrições a transações financeiras "diretas ou indiretas" envolvendo entidades controladas pelos militares cubanos, especialmente o conglomerado estatal GAESA, apontado pelos EUA como o principal braço econômico das Forças Armadas da ilha. O grupo atua em setores estratégicos como turismo, comércio exterior, hotelaria, bancos e transporte.
O governo americano afirma ainda que as medidas têm como objetivo "impedir que recursos financeiros beneficiem o regime cubano". A nova diretriz também amplia os mecanismos de monitoramento sobre operações comerciais e financeiras ligadas a entidades controladas pelo governo de Cuba.
Nos últimos anos, mecanismos semelhantes foram aplicados em medidas envolvendo Venezuela, Irã e Rússia.
Sanções
produzem efeitos
As novas sanções impostas pelo governo Donald Trump contra Cuba já começaram a produzir efeitos diretos na economia da ilha. Um dos principais impactos atingiu o sistema de pagamentos internacionais: Cuba anunciou a suspensão de operações com cartões Visa e Mastercard após empresas estrangeiras interromperem serviços ligados ao país por temor das restrições americanas.
Segundo comunicado do Banco Central de Cuba, um parceiro internacional responsável pelo processamento das transações decidiu limitar operações após a ordem executiva assinada pelos Estados Unidos ampliar sanções comerciais e financeiras contra Havana. Com isso, o país deixará de receber pagamentos feitos por meio das bandeiras internacionais