Flávio Bolsonaro é recebido por Trump na Casa Branca
Reunião contou também com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi recebido nesta terça-feira (26/5) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. A reunião contou também com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo.
A agenda havia sido articulada nas últimas semanas por Eduardo e Paulo Figueiredo junto a interlocutores ligados ao governo americano. Até horas antes do encontro, aliados evitavam confirmar oficialmente a reunião com Trump. O registro do encontro foi enviado à coluna por Figueiredo.
Antes da reunião, o jornalista afirmou que um dos temas levados ao governo americano seria a tentativa de classificar facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas estrangeiras.
Após a reunião, Flávio Bolsonaro fez uma declaração na qual relatou como foi o encontro com Trump. Leia abaixo a íntegra do comunicado do senador:
“Hoje tive a grande honra de ser recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. Cheguei às 15h e deixei o local às 16h40.
Quero registrar, antes de qualquer coisa, que essa reunião não foi intermediada por nenhum empresário duvidoso. Foi um convite direto do presidente dos Estados Unidos, feito ao seu nível, entre líderes políticos.
Agradeço ao presidente Trump não só pela cordialidade com que me recebeu, mas por ter dedicado tempo da sua agenda para esse encontro. O presidente está hoje no meio da negociação de um acordo histórico de paz com o Irã, envolvido no planejamento da libertação do povo cubano, e lidando com inúmeros outros temas que demandam diariamente a atenção do homem mais poderoso do mundo. Ainda assim, separou esse tempo. Isso mostra um prestígio enorme — e quero deixar claro: não um prestígio pessoal meu, mas do nosso país, do Brasil que ainda existe apesar do governo Lula.
Quero também registrar algo que, ao meu conhecimento, é inédito na história do Brasil: nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu no Salão Oval um pré-candidato brasileiro à Presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência. É reconhecimento de que existe hoje no Brasil uma alternativa séria, sólida e confiável ao desastre do atual governo — e que essa alternativa tem nome.
O presidente Trump me recebeu com enorme cordialidade. A primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre meu pai. Perguntou sobre as condições da prisão, sobre como ele está, sobre como a família tem lidado com tudo isso. Foi um gesto humano que registro com profunda gratidão. Ao final do encontro, o presidente fez questão de me presentear pessoalmente com uma challenge coin — a moeda de honra que presidentes americanos entregam como símbolo de respeito e reconhecimento, tradição que remonta às forças armadas americanas. É um gesto raro, reservado a aliados de confiança. Mostra o tipo de líder que ele é, e mostra o tipo de relação que existe entre nossas famílias e nossos movimentos políticos.
Ao longo do encontro, expressei ao presidente a diferença gritante que haverá entre um governo Flávio Bolsonaro e o atual governo Lula. Em vez de alinhamentos ideológicos com ditaduras e regimes autoritários, o que o Brasil precisa são parcerias estratégicas que enriqueçam o nosso povo, gerem empregos e tragam investimento, tecnologia e segurança.
O objetivo central da minha visita foi oferecer aos Estados Unidos uma alternativa ao que o Lula veio fazer aqui há poucas semanas. Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficante, eu vim fazer exatamente o oposto: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
E elas são, sim, organizações terroristas. Controlam territórios inteiros do Brasil pela força. Submetem populações ao seu próprio código, à sua própria lei, à sua própria justiça paralela. Executam quem ousa resistir. Corrompem agentes públicos, infiltram instituições, intimidam testemunhas, ordenam atentados de dentro dos presídios. Operam em dezenas de países, com tentáculos que afetam diretamente os Estados Unidos e o resto do hemisfério. Quem faz isso não é gangue. É organização terrorista, ponto. E combater o PCC e o Comando Vermelho é interesse compartilhado entre os dois países.
Disse ao presidente Trump que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil vai integrar o escudo das Américas — junto com os Estados Unidos, com a Argentina do Milei, com o El Salvador do Bukele, com o Equador do Noboa, com o Paraguai do Peña, com o Chile do Kast, com o Panamá do Mulino e com a República Dominicana do Abinader — formando uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado transnacional e o terrorismo. Esse é o lugar do Brasil. É como protagonista da segurança das Américas, lado a lado com nações livres e soberanas.
Também aproveitei o encontro para apresentar ao presidente a posição privilegiada que o Brasil ocupa no cenário mundial de terras raras e minerais críticos. Temos a segunda maior reserva mundial. Somos a única alternativa real à China para o mundo livre. Sob meu governo, haverá parceria estratégica de longo prazo nesse setor, com investimento protegido e reindustrialização compartilhada entre os dois países.
Sobre o tema das tarifas, deixei claro ao presidente que sob o meu governo não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil. Faremos um acordo comercial e de investimentos sólido, bom para os dois países, na escala dos maiores acordos da história recente.
Quero, antes de encerrar, fazer um agradecimento que é justo e necessário. Nada do que aconteceu hoje teria sido possível sem o trabalho do meu irmão Eduardo Bolsonaro e do Paulo Figueiredo. Os dois construíram, ao longo de anos, um grau de relacionamento ímpar com as esferas políticas americanas, em todos os níveis — Casa Branca, Departamento de Estado, Congresso, lideranças do movimento conservador. Esse encontro de hoje é fruto direto desse trabalho. É justo registrar e é justo agradecer publicamente.
E, por último, quero registrar publicamente meu repúdio ao Itamaraty e à embaixada brasileira em Washington. Apesar de solicitação formal do meu gabinete, a embaixada se recusou a ceder o espaço para que esta coletiva fosse realizada lá. É um gesto pequeno, mesquinho e revelador. Mesquinho porque a embaixada brasileira é patrimônio de todos os brasileiros, e não propriedade pessoal do governo Lula. E revelador porque mostra o nível de aparelhamento ideológico do Itamaraty sob esse governo — incapaz sequer de cumprir um papel protocolar mínimo quando o assunto é um parlamentar brasileiro recebido na Casa Branca pelo presidente dos Estados Unidos. Fica registrado. E fica o aviso: a partir de janeiro de 2027, o Itamaraty volta a servir ao Brasil, e não a um projeto ideológico falido.
Muito obrigado.”