Valdemar aciona STF contra Ricardo Salles em nova briga na direita
Valdemar da Costa Neto aciona STF e acusa Ricardo Salles de calúnia e difamação após declarações sobre corrupção no PL
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, protocolou uma queixa-crime no STF contra o deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro de Jair Bolsonaro. O dirigente moveu a ação após declarações de Salles, em entrevista a um podcast, nas quais o parlamentar afirmou que “a turma do Valdemar roubava” no Ministério dos Transportes e no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
Na representação, Valdemar acusa Salles dos crimes de calúnia e difamação. O dirigente alega que Salles extrapolou os limites da liberdade de expressão ao associar diretamente Valdemar e o PL a práticas de corrupção sem apresentar provas. Os advogados sustentam que as declarações atingiram a honra do presidente do partido. “Agiu com inequívoca intenção de atribuir ao querelante a prática de condutas criminosas e, simultaneamente, macular sua reputação perante a sociedade, o meio político e a opinião pública em geral”.
O trecho da fala de Salles reproduzido na ação diz: “Deixa eu contar uma história para você. Quando o Tarcísio trabalhava com a Dilma, ele entrou no DNIT para fazer uma faxina na corrupção. Quem fazia a corrupção do DNIT no Ministério dos Transportes? O PL do senhor Valdemar. A turma do Valdemar é que roubava no Ministério dos Transportes e no DNIT. O Tarcísio foi lá e fez uma limpa. Tanto que foram vários presos, né”.
Segundo os advogados, o dirigente do PL “nunca sofreu qualquer persecução criminal pelos fatos que lhe foram atribuídos”. A ação também destaca a repercussão da entrevista. “As declarações foram proferidas em meio que facilitou sua divulgação pública e massiva, com veiculação em podcast disponibilizado no YouTube, mídia social com posterior repercussão em veículos de comunicação de alcance nacional”.
A peça também argumenta que a imunidade parlamentar não se aplica ao caso porque as declarações foram dadas em um podcast, fora do exercício direto do mandato. A defesa do dirigente do PL pede condenação criminal e indenização mínima de R$ 20 mil por danos morais.
Além da condenação por calúnia e difamação, os advogados solicitam a aplicação da causa de aumento de pena prevista no artigo 141 do Código Penal, em razão da divulgação das declarações por meio de comunicação social e da internet.
Racha na direita de SP
A crise entre Valdemar Costa Neto e Ricardo Salles expõe um racha na direita paulista em meio à disputa por uma das vagas ao Senado nas eleições de outubro de 2026. O estopim foi a escolha do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, como nome do PL para a chapa bolsonarista em São Paulo.
A articulação foi conduzida por Valdemar e contou com o aval do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que pode integrar a chapa como suplente. A definição contrariou Ricardo Salles, que também se lançou pré-candidato ao Senado e passou a atacar publicamente o acordo costurado pelo PL.
No desenho eleitoral da direita em São Paulo, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, aparece como o outro nome consolidado para disputar o Senado ao lado do grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).