Por: POR MARTHA IMENES

CORREIO ECONÔMICO | Economia brasileira mostra crescimento moderado

Setor agropecuário responde por 13,1% do resultado | Foto: Alex Ribeiro/Agência Pará

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou alta de 2,5% em 2025, na comparação com o ano anterior, informou o Banco Central. O resultado foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 13,1%. A indústria cresceu 1,5% e os serviços, 2,1%. Excluindo o setor agropecuário, o índice teve expansão de 1,8% no período.

Apesar do desempenho positivo no acumulado do ano, dezembro apresentou retração de 0,2% em relação a novembro, considerando os dados dessazonalizados. Na comparação com dezembro de 2024, houve alta de 3,1%. Já no trimestre encerrado em dezembro, frente ao trimestre terminado em setembro, o indicador subiu 0,4%.

 

Índice funciona como 'termômetro'

O IBC-Br é utilizado como termômetro da atividade econômica e auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) na definição da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior patamar desde julho de 2006.

A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação, cuja meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Em janeiro, a alta da conta de luz e da gasolina manteve a inflação oficial em 0,33%.

Moderação da atividade econômica

No acumulado de 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 4,44%, dentro do intervalo de tolerância, aponta o levantamento.

Diante da moderação da atividade econômica brasileira e da inflação em trajetória de queda, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva na reunião de janeiro. Em ata, o colegiado sinalizou que iniciará cortes nos juros em março, sem detalhar a magnitude da redução, mas reforçou que a política monetária seguirá em nível restritivo.

PIB consolidado sairá em 3 de março

O IBC-Br não é considerado uma prévia oficial do Produto Interno Bruto (PIB), mas serve como referência para a formulação da política monetária. No terceiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,1%, resultado classificado pelo IBGE como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está marcada para 3 de março. Em 2024, a economia brasileira havia registrado expansão de 3,4%.

Inflação mais alta

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - referência oficial da inflação no país - passou de 3,97% para 3,95% em 2026. A estimativa está no boletim Focus divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras.

Projeção de 3,8%

Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5% para os dois anos. Pela sexta semana seguida, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida e está dentro do intervalo da meta (3%) para a variação de preços que deve ser perseguida pelo Banco Central.

Energia e gasolina

Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fizeram a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado fez o IPCA acumular alta de 4,44% em 2025, dentro da meta do Conselho Monetário Nacional.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não mexeu nos juros pela quinta vez seguida na última reunião, no fim de janeiro.

Maior nível

A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Em comunicado, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. A estimativa é que a taxa básica caia para 12,25% ao ano.

PIB de 1,8%

A estimativa para o crescimento da economia brasileira este ano permanece em 1,8%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) também ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.