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Coluna Magnavita | Ao deixar de ser vítima, a soberba presidencial de Flávio ofusca verdades que merecem reflexões

Por Cláudio Magnavita

Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são citados em investigação da Polícia Federal.

Ao começar sua carta original com a frase "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", Flávio Bolsonaro cometeu um erro fatal. A partir daí, os fatos relevantes foram contaminados. Deixou de ser vítima para subir em um pódio que pode ser contestado. Ele tentou corrigir, mas ela já estava distribuída com a frase intrujara por um desastrado colaborador. Há, porém, fatos relevantes que merecem ser descontaminados por este tom soberbo.

É verdade quando ele afirma que "a perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, têm um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte".

É verdade, ainda, quando o senador Flávio Bolsonaro afirma: "para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment".

Uma pena que a frase inicial ofusque trechos lúcidos quando afirma: "eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política."

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança."

E também merece reflexão quando Flávio Bolsonaro escreve: "quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime."

Em um debate televisivo, o atual presidente da República, falando como candidato, ameaçou, sem meias palavras, o oponente quando fazia alusão a sua perda de imunidade com o fim do mandato. Quem da direita se levantou contra a fala absurda e ato falho que revelava o que viria por vir? De quem era a Polícia Federal que depois de sete minutos do anúncio da vitória pediu a suspensão do passaporte?