Coluna Magnavita | A direita brasileira está se acostumando a perder para si própria
A direita brasileira é antropofágica. Enquanto os tupinambás devoraram os adversários, boa parte da direita pratica o canibalismo com seus próprios membros. Falta projeto político que sobreponha aos interesses individuais. Agora, após a ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, ela começa a ser praticada com requintes de crueldade.
Uma parte das lideranças critica a sua saída para o exterior e outra age como incendiária. Quem se sente abandonado, se une ao bloco daqueles que querem assumir o comando da direita, sem ter um Bolsonaro à frente. A outra está preocupada com a perda do seu "boi de piranha" e teme ser escalada para o papel punitivo promovido pela esquerda.
Quem aplaude a ida para o exterior, sabe que Flávio Bolsonaro não será calado por medidas restritivas e vai ligar o megafone internacional. Só que correm o risco de errar o tom. Exagerar o cenário eleitoral até assumir uma postura caricata, que dificulta até a exposição das arbitrariedades de quem está no poder e, principalmente, fulanizar uma perseguição concreta, como a suspensão dos passaportes sincronizados com o resultado da operação.
A comunidade internacional começava a perceber a perseguição com esta decisão abrupta contra um senador da República e um candidato que acabava de receber 60 milhões de votos, quando surge uma carta na qual Flávio Bolsonaro assume o papel de Presidente Eleito do Brasil. Diminuiu o impacto da primeira notícia, que seria muito mais eficaz e justificaria a saída, sem expor um radicalismo que carece de provas concretas sobre a fraude nos resultados. É exatamente este radicalismo que afasta os eleitores e partidários mais moderados.