PINGA-FOGO
PT TOMA CONTA DAS REDES, DAS RUAS E SOUBE DESCONSTRUIR ADVERSÁRIO - A vitória de Lula demonstra o acerto da reconstrução da campanha depois do susto do segundo lugar no 1º turno. A fórmula Sidônio Palmeira foi expurgada e deu lugar ao General JANONES. A capacidade de se reinventar em um curto período e abraçar as redes sociais, com o presidente fazendo selfies e criando o 'Exército Lula' no digital, não foi percebida na campanha de Flávio Bolsonaro, que ficou embriagada com a vitória de governadores e do legislativo. O risco real de derrota incendiou a militância petista nas redes e nas ruas, trazendo para o colo de Lula uma fórmula que elegeu Jair Bolsonaro em 2018. Os grandes derrotados foram os institutos de pesquisa. Nenhum deles deu a vitória a Lula com a margem de voto que obteve no final da apuração. Repetiu-se, de forma inversa no segundo turno, a falha dos institutos de pesquisas no primeiro turno.
DESAFIO SERÁ GOVERNAR A PARTIR DE 2027 COM UM CONGRESSO MAIS À DIREITA - Na sua fala com a imprensa, após o anúncio da vitória, já quase sem voz, fez questão de reconhecer que terá um Congresso diferente, mas que foi escolhido pelo voto popular e prometeu trabalhar com esta nova composição. O grande desafio será manter no comando das duas casas os dois atuais presidentes. No Senado, Davi Alcolumbre, e na Câmara, Hugo Motta, foram aliados eleitorais de Lula e ganham chance de continuar diferente se houvesse a vitória de Flávio Bolsonaro.
INTERFERÊNCIA DE ZANIN MACULOU VITÓRIA DE LULA E CRIOU NUVEM DE SUSPEIÇÃO - O que seria uma grande vitória do PT, acabou maculada com uma intervenção intempestiva do ministro Cristiano Zanin, faltando poucos minutos para o encerramento das urnas. Ele emitiu uma decisão monocrática, paralisando a apuração por duas horas e prorrogando o prazo de encerramento. Foi criada uma enorme confusão em todo o Brasil nos locais de votação. Uma nuvem de suspeição foi gerada, já que o ministro foi advogado pessoal de Lula, é seu afilhado e atendeu a petição assinada por um ex-sócio de escritório.
Ninguém duvida mais da proteção das urnas. As dúvidas migraram para o processo de apuração e a sua paralisação por duas horas assustou. Foi o suficiente para o próprio senador Flávio Bolsonaro não reconhecer a derrota e afirmar que irá recorrer. A interferência de um ministro do STF na questão eleitoral causou espanto nas duas campanhas.
CAMPANHA DE FLÁVIO IGNOROU A FORÇA DA MÍDIA TRADICIONAL - Enquanto Lula surfava na Record, SBT e nas sabatinas dos grandes veículos, a campanha de Flávio Bolsonaro decidiu esconder o candidato e deixou enfurecido veículos que, tradicionalmente, eram até simpáticos ao candidato do PL. Foi um erro, como também ter dois candidatos diferentes nos debates que participou. Na Band, o Flavio no 'estilo Marçal' desagradou e perdeu voto. Na Globo, outro candidato, aconselhado por Tarcísio de Freitas, assumiu uma posição presidencial, o que defendeu o comentário "habemus presidente", em uma alusão ao figurino de presidente do candidato.
TARCÍSIO DE FREITAS EMERGE COMO O PRESIDENCIÁVEL DA DIREITA PARA 2030 - Não se pode chorar sobre o leite derramado. Mas, após o anúncio da vitória de Lula, o consenso na direita era que a história seria bem diferente se o candidato tivesse sido o governador Tarcísio de Freitas. A direita afugentou o cavalo selado, que foi amarrado na sua porta com um nome imbatível das urnas. O governador de São Paulo reunia todas as qualidades para massacrar o PT nas urnas. O nome de Flávio surgiu por exclusão e foi pouco a pouco formando consenso no qual o principal predicado era o sobrenome Bolsonaro.
Na campanha, a primeira reação foi esconder ou minimizar o sobrenome e fazer o marketing com o prenome. A briga com Michelle gerou um desgaste que não foi totalmente sanado.
Com a derrota e desgastes de Flávio, o nome de Tarcísio passa a ser a opção da direita para 2030. Se fosse eleito, Flávio teria a preferência de reeleição e o governador de São Paulo estaria em segundo plano.
O FATOR INSS NÃO PODE SER IGNORADO. DISPARO DE MENSAGENS COMO PROVA DE VIDA ASSUSTOU - Uma das mais eficazes ações da máquina federal colocada à disposição da reeleição de Lula passou quase despercebida pela oposição. Foi o disparo em massa de mensagens para os aposentados, praticamente convocando-os a votar para não ter a aposentadoria ou pensão cancelada. O comparecimento às urnas era apresentado como prova de vida. As mensagens enviadas para os aposentados movimentaram a terceira idade e houve um comparecimento recorde nas urnas, ajudando a diminuir a abstenção. No primeiro turno, não houve uma ação semelhante.
REELEITO, LULA TERÁ CHANCE DE FAZER MAIS QUATRO MINISTROS DO STF - Sem considerar o impeachment de ministro do STF, Lula terá agora, depois da reeleição, a condição de indicar mais quatro nomes para o Supremo Tribunal Federal. O primeiro será enviado esta semana, será o nome do ex-senador e atual ministro do TCU, Rodrigo Pacheco. Um nome que terá aprovação imediata do atual quadro do Congresso. Cumpre, assim, um acordo com o senador Davi Alcolumbre. Durante o mandato, terá a chance de indicar os substitutos de Luiz Fux, Cármen Lúcia e, no final, Gilmar Mendes. De quebra, o nome de Flávio Dino pode sair para concorrer à presidência da República.
JANONES SALVOU LULA DAS ARMADILHAS DE SIDÔNIO - O General de Lula, André Janones, chorou ao receber publicamente o reconhecimento de Lula e Janja após as eleições. Ele comeu o pão que o diabo amassou nos embates que teve com o marqueteiro e ministro Sidônio Palmeira. Aliás, o ministro baiano caiu em desgraça no Planalto. Jogam na sua conta e na sua agenda empresarial o envolvimento de Lula com as bets e, de quebra, a questão das taxas das blusinhas. O método de Old School de Palmeira só tem funcionado para ele e quase custou a derrota de Lula. Ele deve retornar para Salvador ou quiçá Londres. O seu maior erro foi ter tirado o antecessor Paulo Pimenta, afirmando que o "governo era maravilhoso" e que o problema era que não se comunicava. Lula acreditou no canto da sereia do moço e quase se afogou.
UMA MATEMÁTICA DO 2º TURNO DÓCIL DE EXPLICAR - Em números redondos, no primeiro turno foram 118 milhões de votos. No segundo, 123 milhões. Flávio Bolsonaro ganhou 3 milhões de votos a mais e Lula 11 milhões. Todos os outros candidatos do 1º turno eram de centro-direita.
Para ser mais exato: o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 10.289.240 votos a mais no segundo turno da eleição presidencial de 2026, em relação ao primeiro. Esse aumento supera a soma dos votos dos 10 candidatos eliminados no primeiro turno, que receberam, juntos, 9.316.747 votos. A conta não fecha!
Tudo isso dentro de uma nuvem de suspeição que teve como efeito prático paralisar por duas horas a votação, já que na ponta, nas urnas nada mudou. Quem explica?