Eduardo Paes não aceita derrota em primeiro turno. Vitória de Douglas Ruas é matemática
O Correio da Manhã revelou, em vídeo nas redes sociais e em nota na coluna Magnavita, a estratégia da campanha de Eduardo Paes de congelar os votos de Anthony Garotinho, deixando-os "sub judice". Desta forma, evitaria que eles migrassem para oposição e seriam evaporados por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Só que o feitiço virou contra o feiticeiro. É exatamente a exclusão dos votos de Garotinho que darão a vitória a Douglas Ruas no primeiro turno.
Nenhum instituto de pesquisa previu o que ocorreu na eleição do Rio no último dia 04. Eduardo Paes tinha uma eleição ganha. No início do ano, todos já davam certa a sua vitória, e sempre em primeiro turno. O otimismo era tão grande que ele ousou lançar o seu fiel escudeiro, o deputado Pedro Paulo, como candidato ao Senado.
O que ocorreu é fruto de vários erros. O principal deles foi o de usar grande parte do seu horário eleitoral para agredir o seu principal adversário. A estratégia do seu marqueteiro, Marcello Faulhaber, foi de artilharia pura. Tentou desconstruir o seu adversário, abrindo mão daquilo que o eleitor mais esperava: esperança. Foi uma campanha de porrada pura e usando, em excesso, ataques pessoais, bem no estilo que o próprio Eduardo sofreu de adversários em campanhas anteriores. O eleitor demonstrou que este modelo está esgotado. Ele transforma a política em um poço de fel e só afasta o reconhecimento.
As grandes confusões que as manobras jurídicas do PSD junto ao STF também trouxeram sequelas. Foi o partido que evitou que o Rio tivesse uma transição pacífica, com a saída de Cláudio Castro e depois da prisão do deputado Rodrigo Bacellar. Foram várias provocações no Supremo Tribunal Federal tentando impedir a posse de Douglas Ruas, já eleito presidente da Alerj, como governador interino. A artimanha jurídica, que teve o deputado Pedro Paulo e o ex-presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, funcionou.
Aliás, Douglas Ruas deve agradecer agora a estratégia. Ele assumiu a Alerj e pôde fazer uma agenda positiva no estado, viajando e fazendo campanha, sem o ônus de dividir o seu tempo para administrar o estado. Douglas foi mais uma das vítimas da arbitrariedade do STF.
A vitória de Douglas Ruas no primeiro turno é inquestionável. É matemática. Ruas teve 4.271.199 votos. A soma de todos os candidatos nanicos resultou em 416.444, sem incluir os 274.411 votos de Garotinho. Este número, somado aos 3.706.984 votos, dá um total 4.123.428. Um saldo favorável a Ruas de 147.771, ou seja, ele tem mais de 50% dos votos válidos.
Pela fala de Eduardo Paes após o resultado final, ele não aceita a hipótese do adversário ter vencido no primeiro turno. Não vai aceitar a pulverização dos votos de Garotinho. Usou o mesmo discurso de nojo contra os adversários e prometeu que vai manter o tom de agressividade.
Para Paes, é a única chance de uma sobrevida política. O seu candidato ao Senado ficou em quarto lugar e, na capital, teve menos votos que a candidata do PSOL, já que a cidade é o seu principal reduto político. Benedita da Silva, que grudou em Paes e Pedro Paulo, ficou em terceiro lugar.
Se houver um novo tapetão judicial e o PSD fluminense recorrer ao STF para anular a exclusão dos votos de Garotinho, iremos reviver o mesmo quadro da intervenção judicial como ocorreu anteriormente.
Há, porém, um cenário diferente: a nova composição do Senado, que saiu das urnas, deverá dar um pouco de juízo ao STF.