Asean ganha espaço na agenda diplomática de Brasília
A celebração do Dia da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) reuniu, na noite desta terça-feira (18), autoridades brasileiras, parlamentares, empresários, militares e representantes do corpo diplomático na residência oficial do embaixador da Indonésia, Andhika Chrisnayudhanto, em Brasília. Anfitrião da noite e coordenador do Comitê da Asean na capital, o diplomata recebeu também o secretário-geral do bloco, Kao Kim Hourn, cuja presença deu dimensão especial ao encontro.
Em seu discurso, o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hour, classificou o Brasil como país-chave para o bloco e defendeu novas oportunidades de cooperação em negócios, academia e outras áreas de interesse comum. A visita de Kao Kim Hourn marca a primeira vinda de um secretário-geral da Asean ao Brasil.
Já a embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, destacou o avanço recente das relações do Brasil com o Sudeste Asiático. Ela lembrou a participação de Lula na Cúpula da Asean, em Kuala Lumpur, como o primeiro chefe de Estado brasileiro a comparecer a um encontro do bloco, marco da aproximação política e econômica entre as duas regiões.
Em seu último ato como presidente do STJ, o ministro Herman Benjamin destacou a relevância estratégica da Asean para o Brasil e o potencial de ampliação das relações econômicas.
Em entrevista exclusiva à coluna, o ministro afirmou que "trata-se de uma relação que tem tudo para aumentar a cooperação e trazer benefícios recíprocos", ao destacar as afinidades entre o Brasil e os países do bloco, inclusive nos desafios ambientais e climáticos.
Benjamim destacou que a importância da Asean é tão grande que, além do embaixador do Brasil na Indonésia, temos também um embaixador brasileiro na Asean, em Jacarta.
O Sudeste Asiático concentra mercados dinâmicos, importantes cadeias produtivas e ocupa posição estratégica entre o Índico e o Pacífico.
Para o Brasil, ampliar essa interlocução significa diversificar parceiros, abrir novas frentes de comércio e investimentos e aprofundar relações com uma região que ainda recebe menos atenção do que seu peso internacional recomenda. A recepção em Brasília mostrou que essa aproximação começa a ganhar espaço próprio na agenda de Brasília.
A aproximação entre o nosso país e o Sudeste Asiático também ganhou destaque com a presença de Alex Kawano, secretário-geral da Frente Parlamentar ASEAN-Brasil, no encontro. A Frente atua como elo entre o Congresso Nacional e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático.
A Asean foi criada em 1967 e reúne hoje 11 países: Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia, Vietnã e Timor-Leste, incorporado ao grupo em 2025.