Coluna Magnavita | Carro do ministro dos Esportes em vaga de deficientes é um péssimo exemplo ao cidadão

Por Cláudio Magnavita

Veículo oficial do ministro dos Esportes em vaga para deficientes

No movimentado Aeroporto de Brasília, na última quinta, 30 de julho, uma cena lamentável foi registrada pela coluna, que demonstra o descaso de autoridades federais com a cidadania. O Toyota Corolla preto, que serve ao Ministro dos Esportes, não só estava estacionado na vaga reservada para deficientes, como também obstruía a passagem de cadeirantes.

A viatura oficial, com a placa de Bronze Verde Amarela, trazia a identificação do infrator: Ministro de Estado dos Esportes. Antes que a assessoria jogue a culpa no ministro Paulo Henrique Perna Cordeiro, é importante registrar que o carro estava aguardando a autoridade. Ou seja, ele não teria o menor pudor de embarcar no carro que o esperava no aeroporto no ponto proibido.

CM - Placa de Bronze Verde Amarela confirmava a identificação do infrator: ministro de Estado dos Esportes

Paulo Henrique assumiu oficialmente o comando da pasta após a saída do ex-ministro André Fufuca, que deixou o cargo para reassumir seu mandato como deputado federal. Natural de Viana, no Maranhão, o ministro é advogado, professor universitário e mestre em Direito Constitucional, bagagem que, no mínimo, o deixaria constrangido em ver o seu carro oficial estacionado em uma vaga exclusiva para deficientes.

Mas PH não é muito chegado a rituais éticos. Em 2024, quando deixou o cargo de superintendente na estatal federal Infra S.A. para assumir uma secretaria no Ministério do Esporte, sua esposa, a advogada Renata Sousa Cordeiro, foi nomeada para a exata vaga deixada por ele. Tudo sem causar maiores constrangimentos.

Voltando à vaga de deficiente ocupada pelo carro chapa de Bronze do Ministério dos Esportes, a atitude reforça as críticas que a pasta recebe sobre baixo investimento nos esportes paralímpicos e adaptados, concentrando-se em desigualdades orçamentárias históricas, centralização de recursos e falta de acessibilidade nas bases. Embora o Brasil seja uma potência mundial nas Paralimpíadas, atletas e especialistas apontam que o sucesso ocorre com pouca ajuda governamental. O descaso do carro do ministro usurpando uma vaga destinada a deficiente e obstruindo a passagem de cadeirantes é bem emblemático e revela a cultura de desdém da pasta.