Coluna Magnavita | Carro do ministro dos Esportes em vaga de deficientes é um péssimo exemplo ao cidadão
No movimentado Aeroporto de Brasília, na última quinta, 30 de julho, uma cena lamentável foi registrada pela coluna, que demonstra o descaso de autoridades federais com a cidadania. O Toyota Corolla preto, que serve ao Ministro dos Esportes, não só estava estacionado na vaga reservada para deficientes, como também obstruía a passagem de cadeirantes.
A viatura oficial, com a placa de Bronze Verde Amarela, trazia a identificação do infrator: Ministro de Estado dos Esportes. Antes que a assessoria jogue a culpa no ministro Paulo Henrique Perna Cordeiro, é importante registrar que o carro estava aguardando a autoridade. Ou seja, ele não teria o menor pudor de embarcar no carro que o esperava no aeroporto no ponto proibido.
Paulo Henrique assumiu oficialmente o comando da pasta após a saída do ex-ministro André Fufuca, que deixou o cargo para reassumir seu mandato como deputado federal. Natural de Viana, no Maranhão, o ministro é advogado, professor universitário e mestre em Direito Constitucional, bagagem que, no mínimo, o deixaria constrangido em ver o seu carro oficial estacionado em uma vaga exclusiva para deficientes.
Mas PH não é muito chegado a rituais éticos. Em 2024, quando deixou o cargo de superintendente na estatal federal Infra S.A. para assumir uma secretaria no Ministério do Esporte, sua esposa, a advogada Renata Sousa Cordeiro, foi nomeada para a exata vaga deixada por ele. Tudo sem causar maiores constrangimentos.
Voltando à vaga de deficiente ocupada pelo carro chapa de Bronze do Ministério dos Esportes, a atitude reforça as críticas que a pasta recebe sobre baixo investimento nos esportes paralímpicos e adaptados, concentrando-se em desigualdades orçamentárias históricas, centralização de recursos e falta de acessibilidade nas bases. Embora o Brasil seja uma potência mundial nas Paralimpíadas, atletas e especialistas apontam que o sucesso ocorre com pouca ajuda governamental. O descaso do carro do ministro usurpando uma vaga destinada a deficiente e obstruindo a passagem de cadeirantes é bem emblemático e revela a cultura de desdém da pasta.