Coluna Magnavita | Odebrecht nas mãos dos chineses e a contribuição petista ao fim da engenharia nacional

Por Claudio Magnavita

Odebrecht

O PT tenta trazer para seu colo a onda nacionalista e a defesa da soberania nacional enquanto fecha os olhos para o avanço chinês no setor de engenharia pesada e infraestrutura no Brasil, que vive uma verdadeira tsunami sobre as poucas empresas brasileiras. Com o vácuo de mercado deixado pelas grandes empreiteiras brasileiras após a Operação Lava Jato, as estatais chinesas deixaram de ser apenas fornecedoras de equipamentos e passaram a liderar os maiores consórcios e a ditar o ritmo das grandes obras do país.

A gigante de infraestrutura de Portugal, Mota-Engil, negocia a compra de 40% de participação na Odebrecht, mas na realidade camufla um novo avanço chinês. O movimento, apoiado financeiramente pela estatal chinesa CCCC (acionista da Mota-Engil), criaria uma gigante de engenharia no Hemisfério Sul.

O acionista chinês da Mota-Engil é a China Communications Construction Company (CCCC), uma das maiores estatais de infraestrutura do mundo. A entrada da corporação no grupo português reconfigurou o controle da companhia.

A estatal chinesa atua como o motor financeiro por trás da proposta da Mota-Engil para comprar 40% da Odebrecht e assumir complexos de infraestrutura na Bahia (como a Fiol 1 e o Porto Sul).

A Mota-Engil arrematou em São Paulo o projeto do túnel submerso Santos-Guarujá e a própria CCCC lidera o consórcio responsável pela construção da ponte Salvador-Itaparica, na Bahia.

Há alguns anos, a própria CCCC já havia adquirido 80% da Concremat, uma das maiores empresas brasileiras de engenharia consultiva, absorvendo o conhecimento técnico local sobre licenciamentos.

A parte mais visível da aliança do PT com os chineses é a Ponte Salvador-Itaparica, orçada em mais de R$ 11 bilhões, a maior ponte sobre lâmina d'água da América Latina é de responsabilidade integral de consórcios chineses (liderados pela CCCC).

O governo chinês mapeou os projetos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como seu principal foco de investimento na América Latina, garantindo fôlego financeiro para as licitações dos próximos anos. Ao entrar como sócio da baiana Odebrecht, a engenharia recebe uma pá de cal, tudo com o aval do Planalto e com aplausos dos petistas baianos. Aliás, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, circula sem pudor em um carro da BYD, uma demonstração do apreço à invasão chinesa.